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sábado, 3 de dezembro de 2016

As 6 grandes nobres verdades de Tim Maia



1. Ninguém pode viver para sempre.

2. Ninguém sabe como o outro se sente.

3. Ninguém pode dar as respostas.

4. Ninguém pode brincar senão pra valer.

5. Não existe o perfeito, não tem deus nem paraíso.

6. Não existe o errado, não tem diabo nem inferno.





1

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1 Music by: Maia, Tim (1976). Nobody can live forever. Polydor. Track 6



sexta-feira, 24 de maio de 2013

Langsamer

*
**

***
“Material dependence implies intellectual servitude.
A man who merely obeys orders loses his pleasure in independent work,
his creative ability, his zest, his best qualities.”

*
"Si quieres un poco de mi
Me deberias esperar
Y caminar a paso lento
Muy lento
Y poco a poco olvidar
El tiempo y su velocidad
Frenar el ritmo, ir muy lento
Mas lento
Se delicado y espera
Dame tiempo para darte todo lo que tengo
Se delicado y espera
Dame tiempo para darte todo lo que tengo
Si quieres un poco de mi
Dame paciencia y veras
Sera mejor q andar corriendo
Levanta el vuelo
Si me hablas de amor
Si suavizas mi vida
No estaré mas tiempo sin saber que siento..."
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1 Music by: Julieta Venegas (2008) - "Lento". Sony International: MTV Unplugged. Track number 9. Lyrics by: Julieta Venegas and Coti Sorokin
2 Image by: Lumi Mae and Apollyon2011 (2010) - "running running"
3 Quotation by: Schacht, H. H. G. (1956). "Confessions of the old wizard: the autobiography of Hjalmar Horace Greeley Schacht". Cambridge, MA: The Riverside Press. (p. 111)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Temps modernes, temps romantiques

Up on a hill is where we begin
This little story a long time ago
Stop to pretend, stop pretending
It seems this game is simply never-ending
Oh, in the sun, sun having fun...

The Strokes - The Modern Age


Day after day,
Alone on a hill,
The man with the foolish grin is keeping perfectly still
But nobody wants to know him,
They can see that he's just a fool
And he never gives an answer,

But the fool on the hill
Sees the sun going down,
And the eyes in his head
See the world spinning 'round.

Well on his way,
Head in a cloud,
The man with a thousand voices talking perfectly loud
But nobody ever hear him
or the sound he appears to make
and he never seems to notice,

And nobody seems to like him,
they can tell what he wants to do,
and he never shows his feelings...

The Beatles - The Fool on the Hill


And maybe I'm a fool for walking in line
Love is just a lie - it happens all the time...

The Magic Numbers - Love's a Game


I never loved nobody fooly...
Regina Spektor - Fidelity


Olha a luz que brilha de manhã
Saiba quanto tempo estive aqui
Esperando pra te ver sorrir
Pra poder seguir

Lembre que hoje vai ter pôr-do-sol
Esqueça o que falei sobre sair
Corra muito além da escuridão
E corra, corra!

Não desista de quem desistiu
Do amor que move tudo aqui
Jogue bola, cante uma canção
Aperte a minha mão

Quebre o pé, descubra um ideal
Saiba que é preciso amar você
Não esqueça que estarei aqui
E corra, corra!

Azul, vermelho
Pelo espelho
A vida vai passar
E o tempo está no pensamento...

Cidadão Quem - O Amanhã Colorido

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Primeira imagem: Autoria desconhecida.
Segunda imagem: Sami Mattar - Buffoon Happiness.
Terceira imagem: Maraldo - Walking in line.
Última imagem: Cindy_rs - Por do Sol em Porto Alegre.

sábado, 28 de junho de 2008

Vem de Janus, vem de antigamente (as palavras serão luz quando decifrarmos a lógica)


Textos orgânicos apodrecem. Tomem este, à guisa de exemplo, em bom estado de putrefação:
O que eu estava dizendo é que pouco saberemos amar se tivermos o que esconder, se tivermos o que guardar. A humanidade quer ir por terra, seguro caminho. Depôs os tempos áureos em que descobriu o mundo. Onde uns embarcavam no enjôo para enfrentar monstros inimagináveis e o próprio fim do mundo, e outros viviam mais ou menos gentilmente, cultuando a chuva e vendo deuses pela terra. Não era um tempo de ingenuidade: era o tempo em que a perdíamos. Era o deslinde e o desbunde da ciência, da filosofia, das artes. Que nos sobra hoje? Queremos trabalhar! Perdemos a ingenuidade mas não deixamos de ser tolos.
Havíamos chegado à última fronteira da razão. Mas não havíamos ainda entendido de todo o racionalismo. Só bastava então uma mísera ação. Mas como ainda não havíamos sido românticos o suficiente, não ultrapassamos a fronteira: apaixonamo-nos pelo conhecimento. Hoje não precisamos mais fantasiar, assistimos às nossas fantasias na tela de cinema, num aparelho televisivo ou num monitor. No clímax da crise da representação. Claro, enquanto formos apaixonados, sempre estaremos em crise. E sempre desejaremos o clímax. Põe a mão na testa e bebe mais que o Bukowski. Ou Jim. Ou qualquer ídolo drogado. Não falo mal dos drogados, tenho uma noção em comum com eles, eu também quero mudar o mundo e a realidade; além do quê, às vezes me visto dum: como então falaria e faria ouvidos aos jovens noctívagos senão com uma bebedeira? A juventude, para se opor aos sisudos adultos, cheios de trabalhos até mesmo inúteis, faz a antítese: sexo e diversão. Não deixam de ser menos alienados 'que os que trabalham o dia inteiro e então assistem telejornal com telenovela, se divertindo a noite inteira e fingindo que estudam. Todos sustentamos a máquina, seja por nós mesmos, seja através daqueles que nos sustentam, seja com prazer, seja com cansaço, com a droga que nos exaure ou com a que nos alivia. Somos dialéticas sem sínteses.
A melhor diferença entre um apaixonado e um amante é exatamente esta: o amante, por não estar comprometido através da exclusão, é tantas vezes mais apaixonado que o outro, que será, efetivamente, um grande amante, um apaixonado por tudo, se entender bem o que significa amar.
Sou claro? Vês através de mim? Porque não são intrinsecamente diferentes, a paixão e o amor são comumente confundidos. O grande desafio do conhecimento é distingüir, com a sutileza que a cuidadosa lógica implica, aqueles que são de semelhança tal que até aparentam ser o mesmo.
"Alguns homens anseiam pela revolução, mas quando você se revolta e constitui seu novo governo você descobre que o seu novo governo é ainda o velho papai de sempre, tendo apenas colocado uma nova máscara de papelão (...) o que esses malditos revolucionários precisam aprender (...) é que a coisa precisa vir de dentro pra fora. Não se pode dar a um homem um novo governo como se fosse um novo chapéu e esperar um homem diferente dentro desse chapéu": Charles Bukowski, em Notas de um velho safado.
O que é que é vem mais de dentro para fora, do que a ação, o conhecimento e o amor? E o individualismo é a mais verdadeira das democracias, abracemo-lo com todos os braços que tivermos. Porque é através do abraço que se entende o todo. Então nem seremos castos especifistas nem cabais absolutistas (e entenderemos, por fim, que, a despeito de menos convir para alguém ser um apaixonado por somente uma área de conhecimento, para conhecer mais convém se apaixonar), mas senhores do meio, amplos conhecedores e ainda apaixonados pelo desconhecido. O individualismo, sendo princípio, também será um fim (já entendemos o eterno retorno?).
Para que te quero? Somos já crianças? Sabemos brincar de paixão? Até hoje, a graça esteve em acreditar nas próprias aparências que fabricamos (como quando com a luz do fogo projetamos as sombras das nossas mãos nas paredes das cavernas fingindo animais, ou quando adivinhamos as formas das nuvens, ou com vodu, ou com outras superstições, religiosas ou não, embora pareça que todas as superstições são religiosas), mas desde que o primeiro de nós soube duvidar do próprio desejo, e então fingi-lo para, em vez de crer e adorá-lo (e fingir sem saber que o fazemos), rir sobre ele, mostrando-se superior, determinante em vez de determinado, pudemos nos despir das depreciações (por mais que ainda achemos ser irônico - quando alguém ri sobre nós é porque nos deprecia - vaidade que não deseja nos deixar ser causa ou inspiração para alguém alegrar-se), e possuir o poder de nossa alegria em nossas próprias mãos. E bocas. E olhos. E ouvidos, é claro. Não somos, os atores, os cientistas da arte de interpretar? Nesse sentido, ser chamado de mau ator pode ser um elogio... Para quê quereríamos que a aparência tomasse o aspecto de verdadeiro, isto é, para que quereríamos que não transparecesse nosso fingimento? Se a verdade perdeu para a fé, e ainda há espaço para dúvidas, e ainda esses são os motivos da nossa mais imensa alegria... Preferimos não mais ser religiosos ou cientistas, se um ou outro significarem ter dogmas ou certezas - ter a luminosa sapiência de que somos capazes de inventar e engendrar o próprio afeto!: então o cômico, de rir do que o destino reservara, passou a ser rir daquilo que notamos ser fingimento mal-disfarçado (escracho). Sofre aquele que não sabe do engano, quem o sabe, dele o ri. Não nos vestimos como o vulgo? Comédia! Porém: será ainda possível ser escrachado com elegância? Seriam esses caminhos confundidos que proponho paradoxos? Bem, eu responderia a isso, se a tanto me financiassem. Uma vez me perguntaram: e como pode uma afirmação começar com se? Não é engraçado? Somos generosos à medida em que podemos (isto é, à medida em que amamos, já que é o amar que aumenta nossa própria potência - amar a deus sobre todas as coisas, mas tal conselho não se dirige ao eu? Sendo então o eu o princípio, também será um fim)... Seria preciso um tipo muito especial de pirata para dar o que não se tem... E a despeito destes mares nunca dantes navegados, não estamos distante de encontrá-los...
Assim estranhamente cobramos do marginalizado: mas só se ele fosse muito bobo para respeitar quem não o respeita. Sendo a nossa riqueza feita à custa da pobreza dele, por que não conviria a ele achar que nós somos seus inimigos, e que então antes ficasse ele rico e nós ou outros pobres? Dito de maneira mais clara (temos mais consciência da inveja do que da ambição, por motivos histórico-educacionais): por que se alegraria (desejaria que fôssemos ricos) da nossa alegria, se a nossa alegria implica a sua tristeza? No entanto, encontramos tão belos seres, como cachorros cujo olhar encolhido olha com a humildade de quem espera uma pancada.
Mas nada disso é importante, não é mesmo? A indiferença nos protege. Somos apolíticos. Tudo o que precisamos saber sobre ética é não comer os amigos, não foder com ninguém se a namorada estiver presente, e não ser pego se mentir. Arte é aquilo me mantém um zumbi. E, finalmente, podemos nos alegrar com a tv ou enchendo a cara e catando um corpo num lugar escuro com música alta de gosto duvidoso. O resto é o lixo, que nem pergunto aonde vai. Ai, Estamira, ai.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Um lembrete, em tempos de prostituição e trivialidades

Convém àquele que quer (para mim querer é ato intransitivo, que, no máximo, poderia ser traduzido por querer tudo - mas concedo aos mais despreparados o seu objeto particular, sua fantasia), escolher bem as encruzilhadas onde venderá seu corpo - ou sua alma. Como se sabe, a sorte e o destino se dão em função dos caminhos e das escolhas. Precioso que a vontade saiba seduzir, do modo que lhe convier: que cante, que inebrie, que dance, que apazigue... O modo pelo qual a vontade conquistará os seus amantes não precisará condizer com mais de duas coisas: o seu destino e ela própria.
Jorge Papapá canta inescrupulosamente o amor veraz, o amor de ninguém: o amor é de ninguém e é narcísico, só quer a si mesmo (não quer, portanto, o ódio). Somos o meio, nós, os tradutores. Traduzimos o amor em amor, mas creio que ele estava falando do desejo. É como Delari [deleuze+guattari] pretendendo nos dizer para perder o nome e o rosto e sermos impessoais. Mas quem ama pode ser tão pouco minucioso? E, para nós, contemporâneos, se o amor se livra das amarras é para cair nos fluxos fugazes do desejo. Mais uma vez, escolhi o caminho do meio - e nada poderia ser tão infrutífero. O ciúme nos torna radicais, e também a solidão. Mas não toda a solidão. Não para quem é generoso com a solidão. Mas eu não estou mais sozinho, escondi minha solidão nos outros. Finjo estar perto para poder levar mais longe. Descobri que mais do que dicordar, gosto de levar mais longe. Porque reconheço que você me atravessa de um jeito que então não posso ser inteiro. Procuro-te em pensamento e não acho algo que diga algo, miragens móveis, voláteis no deserto. O corpo arfava enquanto a mente prescrutava, e não posso ser eu simplesmente quando você está no meio. E você é precisamente aquilo que está no meu meio, aquilo que está estorvando o meu fim. Se você é a seta que me desmonta querendo outra coisa, é oportuno eu te erguer e jogar longe. Sei bem fazer isso: sem que te doa. Você é um pouco a seta e um pouco o alvo, mas depois o que quero está além de você. Atravessada na garganta, que engole seco ou sangue. E o silêncio é mais incompetente 'que eu.
De Leve [http://dicamelim.blogspot.com] foi pro funk (ou melhor: estilo foda-se?) e fez sua obra-prima, na minha singela e superficial opinião: O que que nego quer? [http://media.trama.com.br/tramavirtual/mp3/m_38/193152.mp3 http://www.youtube.com/watch?v=EK7Apnie-4E] E a pergunta que coloco é: até onde pode esse movimento levar? Qual a mais pura nata do "vulgar" da sexualização (se existe a sexualização é porque um dia nós, seres sexuais, nos dessexualizamos)? Quer dizer: alguns estão tentando criticar a bunda com a própria bunda - e quem, de sã consciência, vai hoje no brasil se opor às bundas? Somos feitos delas! O punk brasileiro hoje não é o funk? Lembro-lhes, amigos, que quem faz cultura é a arte. Ou a maldição do pop (acessibilização da obra ao gosto) é a moda que veio pra ficar? Questões prementes para nós, artistas contemporâneos (estou falando da arte no mundo hodierno, e não da arte pós-Duchamp, que era um ignorante genial, e que influenciou muitos 'artistas', digamos, para ser afirmativo, que errar uma vez é procurar, e errar outras vezes é continuar procurando - como se conseguiu em plena modernidade não ter uma visão histórica? ou não se entender que o conceito está na própria metáfora e é mais belo que assim esteja? ou que o relativismo, o subjetivismo só implica em qualquer coisa num sujeito destituído de vontade estética, mais conhecido como o nihilista? - eles mal sabem o que é arte, fizeram dela um paradoxo quase ininteligível), que lutamos pelo espaço para demonstrar nossa arte sempre através das mais eficazes (e, portanto, mais deturpadas) traduções. A sedução é tanta que não sabemos mais o que é sério e o que não é (João Brasil [http://fmjoaobrasil.blogspot.com] diz que faz suas músicas de maneira séria, e que só agrada os outros porque agrada a si mesmo - fico eu pensando: e eu, gosto desse papapapapaparára porque tem suíngue ou por que me faz rir?). O que é o aprimoramento do narcisismo (deixaram os blogues de ser, se é que um dia foram, de adolescentes meigos e carentes ou, simplesmente, os rapazes ganharam barba e as moças cortaram o cabelo propondo a sua produção cultural - música, literatura, intelectualidades, dando estilos coquetes - e às vezes subversivos - ao seu inocente desejo de ser amado?)? Se há já no eu a instância do outro (como Freud perspicazmente propunha), o que me agrada em mim mesmo não é talvez o outro que há em mim? Se a fantasia é inerente ao humano, nossa questão fundamental é a dialética do desejo? Sofreremos sempre de nos entregarmos demais ao outro ou não nos entregarmos de modo algum? Sadismo e masoquismo no templo da democracia.
O trivial gera polêmica e o mau gosto nos redime. Nem mais eu sei se estou usando o caminho mais fácil pra chegar no lugar mais difícil (será que esse caminho leva lá?) ou se estou propondo o outro caminho (será que então é possível que ele realmente leve a algum lugar?).
O que sei é que nunca suplicaria como Miguel Torga (incrível que pareça, a solidão é mais impossível que o amor).