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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Capitalizar a revolução humanista



Viver, amigo, é ser soldado1


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A educação é uma construção horizontal, vertical, ética, lógica e empírica. A partir desta concepção, é melhor ser honesto do que genial. É melhor ser simples e inteligível do que ser complexo e revolucionário.

O simples fala a todos e pode, portanto, mudar o mundo. O complexo não dialoga com ninguém.

É o pragmatismo que nos diz: não há revolução sem metas. Isso implica, no mínimo, um prazo, um objetivo, dois planos, inúmeras preparações e, o principal, a execução antes da aurora.

Até quando você tem para terminar o que já deveria ter começado?

E quando, finalmente,
nosso inimigo chegar
- e ele nao está em toda parte? -,
Seremos tão rápidos
Que estivemos lá antes.


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1Epígrafe por Sêneca, Lúcio Anneo (2012). Aprendendo a Viver. Tradução de Lúcia Sá Rebello. L&PM. P. 98. Citação adaptada.

2Imagem por Lovering, Tom, captando escultura de Cochrane, Marco - Truth is Beauty.

3Música por Gabriel, O Pensador (2001). Até Quando? Sony: Seja Você Mesmo (mas não Seja sempre o Mesmo). Track Number 2.



sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Samuel Eggers

#VemPraRua
Cai um, vem dez.

Não será o mesmo, fará falta. Mas queremos melhor. Esse é nosso legado.
Qual é o melhor lado da história, Samuel? Isso é o que vamos tentar continuando descobrir.
É certo que é tempo de rebeldia, sem visão estreita, raivosa ou dogmática. Vamos lá, temos muito a mostrar e conquistar.



Old man, I am alive like you ARE
Véio, tou tão vivo quanto tu!


Texto dele: Sobre os "dois lados" da história


Nesses tempos complicados que vivemos, e que exigem atenção e pensamento crítico (será que existiu algum tempo que não fosse assim?), justa e frequentemente somos lembrados dos perigos de uma visão de mundo estreita, raivosa e dogmática. E o aviso mais frequentemente usado para nos lembrar disso é a frase "sempre existem dois lados".
Eu detesto esta afirmação.
Assim mesmo.
Detesto-a por vários motivos. O mais pessoal é o cansaço que me dá de ouvir isso desde que me conheço por gente, ou seja, desde que aprendi a falar e me comunicar por meios verbais com o mundo ao meu redor. Seria bastante mesquinho da minha parte fundamentar meu desgosto com a afirmação acima baseado apenas em um sentimento pessoal, mas tenho argumentos mais racionais e epistemológicos para justificar-me.
Acredito que falar nos "dois lados de uma questão" é um jeito líquido e certo de nos induzir a pensar em falsas dicotomias. Este enquadre mental de isso ou aquilo acaba por simplificar e limitar qualquer discussão a apenas duas possibilidades, não necessariamente antagônicas. Do meu tempo de calouro da faculdade, lembro das intermináveis e inúteis discussões "terapia cognitivo-comportamental vs. psicanálise" (também representada numa das paredes do nosso diretório com o dramático nome de "a psicanálise versus o resto do mundo"), ou mais recentemente, "médicos vs. outros profissionais da saúde" (dicotomia esta que o Conselho Federal de Medicina vem lamentavelmente incentivando, ao invés de fazer propostas mais interessantes do que a vitimização da classe que representa).
Esta afirmação também é um insulto às nossas capacidades cognitivas, pois dá a entender que nós vemos apenas metade do mundo, como se permanentemente tivéssemos um dos olhos vendados, e sempre enxergássemos ou a direita, ou a esquerda. Acredito ser mais adequado dizer que sempre enxergamos o mundo como uma totalidade, mas que, por causa de nossas histórias pessoais, tendemos a priorizar alguma forma de informação do que outras. Isto organizará nossos processos de tomada de decisão de maneiras bastante distintas, e portanto produzirá efeitos diferentes no mundo. Toda visão de mundo, por ser um produto da mente humana, é criada com base em uma compreensão limitada, e que não consegue apreender todas as informações disponíveis no universo cognoscível (isto é - que podemos de fato conhecer). Ainda assim, isto não quer dizer que as visões de mundo não são completas em si mesmo, por que baseadas em uma compreensão limitadas dos fatos como são, seus efeitos ainda serão globais.
Por fim, a teoria dos dois lados da verdade dá a entender que o melhor caminho para resolver qualquer disputa é o meio termo, ou a união das duas partes, e que não há nenhuma outra possibilidade de síntese. Para ficar em uma discussão que domino um pouco melhor, a solução para o debate "TCC vs. psicanálise" não é incentivar terapeutas cognitivos a trabalharem o Édipo de seus pacientes como sendo uma "crença disfuncional" distinta, nem os psicanalistas usarem o diálogo socrático ao invés da associação livre. Cada teoria, além de conter todos os componentes necessários para realizar intervenções, é baseada em fundamentos epistemológicos diferentes, e misturá-los significa confundir o raciocínio clínico por trás da intervenção. Em outras palavras, não vai ser "olhando os dois lados" que vai resolver essa questão. Embora às vezes a síntese é a fusão dos "dois lados", na maioria dos casos é necessário usar uma boa dose de pensamento lateral, e procurar a transcendência da questão em outras bandas, o que significa ir além dos dois pontos de vista à disposição.
Acredito que, para além de ficar falando "que toda questão tem dois lados", é necessário pensar nos objetivos que nos guiam. Tenho a impressão que, na maioria das discussões que vejo, a preocupação maior é em estar certo - o objetivo dos debatedores é causar o efeito de mostrar para o mundo que eles sabem mais do que os outros sobre o objeto da discussão, e que é secundário fazer algo de concreto. Acho que não estou dizendo nenhuma novidade com isto.
O que eu acredito que o papo de "olhar os dois lados da história" tenta incentivar (e fracassa miseravelmente) é uma postura mais aberta aos fatos do mundo, de que há mais de uma maneira de ver uma situação-problema. Podemos começar a fazer isto abandonando essa mania chata de pensar em dicotomias o tempo todo.
Disponível em: http://tempoderebeldia.blogspot.de/2013/09/sobre-os-dois-lados-da-historia.html 2013-09-13

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Langsamer

*
**

***
“Material dependence implies intellectual servitude.
A man who merely obeys orders loses his pleasure in independent work,
his creative ability, his zest, his best qualities.”

*
"Si quieres un poco de mi
Me deberias esperar
Y caminar a paso lento
Muy lento
Y poco a poco olvidar
El tiempo y su velocidad
Frenar el ritmo, ir muy lento
Mas lento
Se delicado y espera
Dame tiempo para darte todo lo que tengo
Se delicado y espera
Dame tiempo para darte todo lo que tengo
Si quieres un poco de mi
Dame paciencia y veras
Sera mejor q andar corriendo
Levanta el vuelo
Si me hablas de amor
Si suavizas mi vida
No estaré mas tiempo sin saber que siento..."
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1 Music by: Julieta Venegas (2008) - "Lento". Sony International: MTV Unplugged. Track number 9. Lyrics by: Julieta Venegas and Coti Sorokin
2 Image by: Lumi Mae and Apollyon2011 (2010) - "running running"
3 Quotation by: Schacht, H. H. G. (1956). "Confessions of the old wizard: the autobiography of Hjalmar Horace Greeley Schacht". Cambridge, MA: The Riverside Press. (p. 111)

segunda-feira, 23 de julho de 2007

É quase o caso de afogar em fogo

Sou tão íntimo como nem tuas entranhas.
Você é o mundo pelo qual perambulo, inesgotável labirinto.
Poderia dizer que nunca lembro de ti.
Seria tão exato quanto dizer que nunca te esqueço.

Antes de ti, havia em mim uma solidão enorme.
Você deu fim a ela dizendo: dorme.
Quando nos despedimos, ela voltou, maior e com mais fome.
E a cada vez que te vejo novamente, ela não some,
Mas aumenta porque não sabemos ser amantes.
Quanto mais perto estamos, mais palpável é nos sentir distantes.

A solução para mim é encontrar alguém com uma solidão semelhante,
Que inclusive contenha, como eu, uma solidão de si, solidão dançante,
Que se autoabandone e se traia comigo, periodicamente.