Quero um amor que me diz traia.
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Não quero um amor que diz espere...
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Monogamia
É somente ela, loucura, que me impede de tê-la, memória.
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sábado, 28 de julho de 2007
"teu corpo existe porque o meu Sempre existiu cantando. Meu corpo, Dionísio, É que move o grande corpo teu" Hilda Hist
Abandonamo-nos. Mas não nosso amor, que nos persegue, assombra nossos sonhos, puxa por um fio à superfície. O mais alegre é o desvairado, nós pisamos a usada terra com muito cuidado. Será bom te abraçar de novo, será bom te encontrar pela primeira vez. Saudável desconhecido, por que embriagas meus olhos? De lágrimas numa face sem vincos. Sim, então serei mais bonito que a loucura, te seduzirei como o mar, no meu embalo, com minha imensidão em olhos fitantes, cheiro impregnado de maresia, fantasia de tesouros perdidos, ladrões sem lar, aventureiros naufragados.
O afeto é mais que o ser. Qualquer coisa transborda de sentido. Crueldade gentil da natureza fazer vibrar o mundo dentro de nós e ao nosso limite, com todos os seus tons, cores, sabores, texturas, odores. Quem entende a vida não recusa o seu chamado, abandona a si mesmo para transbordar seu sonho. A dor não arde mais que o sol, que vai à espantosa velocidade, traz em si todas as cores, é mais quente que qualquer inferno - que ironia, tanta vida, a doçura, nascer do fogo, que a tudo consome, inconsolável fome, só menor que a dos buracos negros, dos teus olhos, da tua boca, do teu vício, do teu cu, da tua cona. Luz, luz, luz, onde foste sem mim? Te convidei por toda a escuridão. Se todo o universo se contradiz nos seus átimos, pergunta ao nosso pensamento a delicadeza de entender que o pior enseja o melhor. Devore-o. Se te despires de todo o teu medo, eu prometo, a primeira e última promessa de minha vida, te acompanhar por inteiro, qualquer inferno, que será pouco, o medo dá a dor um aspecto grotesco que ela não apresenta - a dor é potência, expressão da potência, grita, grita, o que acontece contigo é maior do que tu, sabemos, tenha a dignidade de abraçar teu destino. Delírio, delírio, onde foste sem mim? Êxtase, êxtase, como subiste só se arrastando passo largo pelo chão? - Eu adoro quando tua perplexidade me pergunta, vítima de uma lógica derrotada.
O afeto é mais que o ser. Qualquer coisa transborda de sentido. Crueldade gentil da natureza fazer vibrar o mundo dentro de nós e ao nosso limite, com todos os seus tons, cores, sabores, texturas, odores. Quem entende a vida não recusa o seu chamado, abandona a si mesmo para transbordar seu sonho. A dor não arde mais que o sol, que vai à espantosa velocidade, traz em si todas as cores, é mais quente que qualquer inferno - que ironia, tanta vida, a doçura, nascer do fogo, que a tudo consome, inconsolável fome, só menor que a dos buracos negros, dos teus olhos, da tua boca, do teu vício, do teu cu, da tua cona. Luz, luz, luz, onde foste sem mim? Te convidei por toda a escuridão. Se todo o universo se contradiz nos seus átimos, pergunta ao nosso pensamento a delicadeza de entender que o pior enseja o melhor. Devore-o. Se te despires de todo o teu medo, eu prometo, a primeira e última promessa de minha vida, te acompanhar por inteiro, qualquer inferno, que será pouco, o medo dá a dor um aspecto grotesco que ela não apresenta - a dor é potência, expressão da potência, grita, grita, o que acontece contigo é maior do que tu, sabemos, tenha a dignidade de abraçar teu destino. Delírio, delírio, onde foste sem mim? Êxtase, êxtase, como subiste só se arrastando passo largo pelo chão? - Eu adoro quando tua perplexidade me pergunta, vítima de uma lógica derrotada.
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Morrer na tua boca
Não sou ninguém.
Mas se você precisar de alguém,
Posso até me transformar.
Como um da multidão
Me distingüir:
Só pra ver que você me vendo
Nos faz sorrir.
Abandonamos muitos lugares
Para sabermos estarmos juntos,
Abandonamos muitos pares
Para o encontro no parque,
Então não soubemos o que dizer,
Nós, os sábios - os olhos respiravam,
Demasiado acordados,
Muito atentos à invisível escuridão.
O pensamento sobressaltado,
Procurando o modo de estar perto,
Procurando onde pôr as mãos.
Há um fio que de ti eu fui puxando
Que nunca acabou de vir.
As migalhas que deixei pelo caminho
Você, passarinho, tratou de engolir.
Me ofereceu uma bela, vistosa casa
Toda feita, engenhosa, de chocolate.
Veio o sol e nos derreteu.
Você me prendeu em uma gaiola
Toda dona, me alimentando para o abate.
Até que comecei a cantar -
Seus olhos doces e negros
Retribuindo que eu iria calar
Sua fome por alguns momentos.
Que graça mais sutil!
É se oferecer em alimento -
Pouco está mais vivo do que aquilo
Que faz viver, mesmo morrendo.
Depois não existe mais eu e você
Em separados compartimentos:
Eu carregarei num nó
A mordida que você me deu;
E farei um nó no corpo teu
Com o pedaço que de mim tirou.
Mas se você precisar de alguém,
Posso até me transformar.
Como um da multidão
Me distingüir:
Só pra ver que você me vendo
Nos faz sorrir.
Abandonamos muitos lugares
Para sabermos estarmos juntos,
Abandonamos muitos pares
Para o encontro no parque,
Então não soubemos o que dizer,
Nós, os sábios - os olhos respiravam,
Demasiado acordados,
Muito atentos à invisível escuridão.
O pensamento sobressaltado,
Procurando o modo de estar perto,
Procurando onde pôr as mãos.
Há um fio que de ti eu fui puxando
Que nunca acabou de vir.
As migalhas que deixei pelo caminho
Você, passarinho, tratou de engolir.
Me ofereceu uma bela, vistosa casa
Toda feita, engenhosa, de chocolate.
Veio o sol e nos derreteu.
Você me prendeu em uma gaiola
Toda dona, me alimentando para o abate.
Até que comecei a cantar -
Seus olhos doces e negros
Retribuindo que eu iria calar
Sua fome por alguns momentos.
Que graça mais sutil!
É se oferecer em alimento -
Pouco está mais vivo do que aquilo
Que faz viver, mesmo morrendo.
Depois não existe mais eu e você
Em separados compartimentos:
Eu carregarei num nó
A mordida que você me deu;
E farei um nó no corpo teu
Com o pedaço que de mim tirou.
quinta-feira, 24 de maio de 2007
"Você passa e não me olha, mas eu olho pra você. Você não me diz nada, mas eu digo pra você. Você por mim não chora, mas eu choro por você" Ben Jor
Olha uma beleza passando, como não querê-la, como não chorar? Sim, eu sempre perco, mas não penso nisso, eu penso no que ganho, eu penso nesta presença que há para mim, que presença não pode iluminar?
Como não ter esta disposição de te abraçar para sempre, mesmo que eu não vá te abraçar para sempre? Como não ver o sol chorando, fazendo das suas lágrimas a amplidão azul?
Você, você, você e você, amada, querida e desejada, e todas as outras [de você]; oh, todas as vidas com que me encanto! Como não dizer quanta falta elas me fazem?, mesmo sabendo que elas existam para mim por excesso - Só com imaginação; só com a minha boba fantasia o que eu quero se torna presente, Porque você, você, você e você e eu não temos braços, nem palavras, nem rios, nem peles, nem corpos, aparentemente; ou, se temos, não fazemos uso deles, o que, em termos de efeitos, dá quase no mesmo. Mas o que me permite vestir as fantasias é me reconhecer nos nossos olhares fugidios.
É porque nossas solidões nos desesperam, ou talvez exatamente por não nos desesperarem, que o nosso melhor encontro se queda dificultado; o nosso encontro mais calmo, mais íntimo, onde não só nossas superfícies se encontram, mas também nossas profundidades.
E eu diria tudo, mais verdadeiro, mais amoroso, mais por ti e mais por mim, um encontro mais significativo, mais intenso, porque mais encontrador e mais encontrado.
O silêncio é mais que o fim, é o começo: despir-nos de nossas macaquices, de nossos medos, para começar a poder sermos nós mesmos.
Como não ter esta disposição de te abraçar para sempre, mesmo que eu não vá te abraçar para sempre? Como não ver o sol chorando, fazendo das suas lágrimas a amplidão azul?
Você, você, você e você, amada, querida e desejada, e todas as outras [de você]; oh, todas as vidas com que me encanto! Como não dizer quanta falta elas me fazem?, mesmo sabendo que elas existam para mim por excesso - Só com imaginação; só com a minha boba fantasia o que eu quero se torna presente, Porque você, você, você e você e eu não temos braços, nem palavras, nem rios, nem peles, nem corpos, aparentemente; ou, se temos, não fazemos uso deles, o que, em termos de efeitos, dá quase no mesmo. Mas o que me permite vestir as fantasias é me reconhecer nos nossos olhares fugidios.
É porque nossas solidões nos desesperam, ou talvez exatamente por não nos desesperarem, que o nosso melhor encontro se queda dificultado; o nosso encontro mais calmo, mais íntimo, onde não só nossas superfícies se encontram, mas também nossas profundidades.
E eu diria tudo, mais verdadeiro, mais amoroso, mais por ti e mais por mim, um encontro mais significativo, mais intenso, porque mais encontrador e mais encontrado.
O silêncio é mais que o fim, é o começo: despir-nos de nossas macaquices, de nossos medos, para começar a poder sermos nós mesmos.
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