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quinta-feira, 9 de abril de 2015
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Queridíssima Cinderela
Estou completamente certo de que
o inferno é apenas uma vitrine do céu.
o inferno é apenas uma vitrine do céu.
Eu só tenho um vestido de vidro para você. Devemos prová-lo?
Não sou o único,
Obcecado com o sol,
Receoso do que encontro,
Quando olho para dentro.1
Sois ao mesmo tempo
Salvação e perdição,
O mais que quero,
O mais que suporto ter
Só os filósofos a saúde escolhem -
Empresários, artistas, não.
Podemos escolher o que somos?
Para dentro, quando olho,
É o mesmo sol que encontro.
Abrir os olhos, fechá-los,
Ao fim talvez seja o mesmo.
Para entender se és gostável,
Preciso checar se és lambível.
Não é preciso o suficiente perguntar:
Mostrarás o que desejas,
E eu perceberei o que eu desejo.
E aquilo que desejamos é muito perigoso.
A bobagem, o pecado, o erro e o errado... É com avidez que alimento o meu corpo, como o mendigo alimenta seus vermes. Não há mal no egoísmo que não exista igualmente no altruísmo. E, lá fora, sempre haverá um mal maior, ameaçando nos vencer.
As frondosas lágrimas é que perfazem a lama do caminho. Não há solução em querer somente para si ou dar-se a tudo. O mundo esvai a cada momento, e ninguém queria que ele parasse mesmo, ainda que pensemos que sim. Inimigos maiores espreitam.
A dor é irremediável, a injustiça é perene e natural, corpos e mentes se corrompem. Tudo o que podemos fazer é evitar a dor e de todas as corrupções ter a coragem de escolher a mais doce. No mundo da luxúria e da cobiça, a coragem sempre se esconde e culpa.
É o diabo que segura os fios que nos movem e suspendem. Nunca alimentarei o outro com a avidez que como. E cotidianamente condeno a fome que não é minha. O único defeito deste mundo, o único verdadeiro pecado, é a falta de alegria.
O único pecado neste mundo roto, sujo, violento e infame é a alegria que não me permito e que não permito a ti. A hiprocrisia de fingir que é nas prisões que decoramos que se encontra o sentido inefável, a beleza transcendente, o bem último que faria a eternidade suspirar.
Porque não quero que encene teus remorsos é que mal enuncio expectativas. Dá-me o que me dás de bom grado, já te tomei o que de ti pude conquistar, o resto deixemos para lá. Nunca te pedi nada, que não tua sinceridade. Deixe-me apenas ver teu corpo nu.
São a tristeza e a raiva os únicos crimes deste mundo: os olhos banhados em lágrimas descontroladas, o sonho do cadafalso, para mim ou para você. Tu o sabes, cara leitora: não traias as alegrias de nossos corpos e não te entregues à pusilanimidade deste mundo...3
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1 Almost-translation of: U2 (1997). Staring at the Sun. Island: Pop.
2 Image by: Faster, pussycat! Gif! Gif! (2013). M (1931). Dir. Fritz Lang. Available at: http://fasterpussycatgifgif.tumblr.com/post/54926574926/m-1931-dir-fritz-lang
3 Reference to: Baudelaire, Charles (1857 [2008]). Les Fleurs du Mal. Edition by Josef Nygrin. Available at: http://www.paskvil.com/file/files-books/baudelaire-fleurs.pdf
And You Will Know Us by the Trail of Dead (2002). Sources Tags & Codes. Interscope.
Noteworthy the consultation to the translations of: Ivan Junqueira, E. M. S. Danero, Roy Campbell and William Aggeler.
4 Video by: Modern English (1982). I melt with you. 4AD Records: After the Snow.
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Samuel Eggers
#VemPraRua
Cai um, vem dez.
Não será o mesmo, fará falta. Mas queremos melhor. Esse é nosso legado.
Qual é o melhor lado da história, Samuel? Isso é o que vamos tentar continuando descobrir.
É certo que é tempo de rebeldia, sem visão estreita, raivosa ou dogmática. Vamos lá, temos muito a mostrar e conquistar.
Old man, I am alive like you ARE
Véio, tou tão vivo quanto tu!
Texto dele: Sobre os "dois lados" da históriaNesses tempos complicados que vivemos, e que exigem atenção e pensamento crítico (será que existiu algum tempo que não fosse assim?), justa e frequentemente somos lembrados dos perigos de uma visão de mundo estreita, raivosa e dogmática. E o aviso mais frequentemente usado para nos lembrar disso é a frase "sempre existem dois lados". Eu detesto esta afirmação. Assim mesmo. Detesto-a por vários motivos. O mais pessoal é o cansaço que me dá de ouvir isso desde que me conheço por gente, ou seja, desde que aprendi a falar e me comunicar por meios verbais com o mundo ao meu redor. Seria bastante mesquinho da minha parte fundamentar meu desgosto com a afirmação acima baseado apenas em um sentimento pessoal, mas tenho argumentos mais racionais e epistemológicos para justificar-me. Acredito que falar nos "dois lados de uma questão" é um jeito líquido e certo de nos induzir a pensar em falsas dicotomias. Este enquadre mental de isso ou aquilo acaba por simplificar e limitar qualquer discussão a apenas duas possibilidades, não necessariamente antagônicas. Do meu tempo de calouro da faculdade, lembro das intermináveis e inúteis discussões "terapia cognitivo-comportamental vs. psicanálise" (também representada numa das paredes do nosso diretório com o dramático nome de "a psicanálise versus o resto do mundo"), ou mais recentemente, "médicos vs. outros profissionais da saúde" (dicotomia esta que o Conselho Federal de Medicina vem lamentavelmente incentivando, ao invés de fazer propostas mais interessantes do que a vitimização da classe que representa). Esta afirmação também é um insulto às nossas capacidades cognitivas, pois dá a entender que nós vemos apenas metade do mundo, como se permanentemente tivéssemos um dos olhos vendados, e sempre enxergássemos ou a direita, ou a esquerda. Acredito ser mais adequado dizer que sempre enxergamos o mundo como uma totalidade, mas que, por causa de nossas histórias pessoais, tendemos a priorizar alguma forma de informação do que outras. Isto organizará nossos processos de tomada de decisão de maneiras bastante distintas, e portanto produzirá efeitos diferentes no mundo. Toda visão de mundo, por ser um produto da mente humana, é criada com base em uma compreensão limitada, e que não consegue apreender todas as informações disponíveis no universo cognoscível (isto é - que podemos de fato conhecer). Ainda assim, isto não quer dizer que as visões de mundo não são completas em si mesmo, por que baseadas em uma compreensão limitadas dos fatos como são, seus efeitos ainda serão globais. Por fim, a teoria dos dois lados da verdade dá a entender que o melhor caminho para resolver qualquer disputa é o meio termo, ou a união das duas partes, e que não há nenhuma outra possibilidade de síntese. Para ficar em uma discussão que domino um pouco melhor, a solução para o debate "TCC vs. psicanálise" não é incentivar terapeutas cognitivos a trabalharem o Édipo de seus pacientes como sendo uma "crença disfuncional" distinta, nem os psicanalistas usarem o diálogo socrático ao invés da associação livre. Cada teoria, além de conter todos os componentes necessários para realizar intervenções, é baseada em fundamentos epistemológicos diferentes, e misturá-los significa confundir o raciocínio clínico por trás da intervenção. Em outras palavras, não vai ser "olhando os dois lados" que vai resolver essa questão. Embora às vezes a síntese é a fusão dos "dois lados", na maioria dos casos é necessário usar uma boa dose de pensamento lateral, e procurar a transcendência da questão em outras bandas, o que significa ir além dos dois pontos de vista à disposição. Acredito que, para além de ficar falando "que toda questão tem dois lados", é necessário pensar nos objetivos que nos guiam. Tenho a impressão que, na maioria das discussões que vejo, a preocupação maior é em estar certo - o objetivo dos debatedores é causar o efeito de mostrar para o mundo que eles sabem mais do que os outros sobre o objeto da discussão, e que é secundário fazer algo de concreto. Acho que não estou dizendo nenhuma novidade com isto. O que eu acredito que o papo de "olhar os dois lados da história" tenta incentivar (e fracassa miseravelmente) é uma postura mais aberta aos fatos do mundo, de que há mais de uma maneira de ver uma situação-problema. Podemos começar a fazer isto abandonando essa mania chata de pensar em dicotomias o tempo todo. Disponível em: http://tempoderebeldia.blogspot.de/2013/09/sobre-os-dois-lados-da-historia.html 2013-09-13
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sábado, 16 de fevereiro de 2013
A vida é muito curta para cometer um engano
A vida é muito curta para se arrepender
(Só há enganos enquanto a mente entende
Que é capaz de entender)
A vida é muito curta para construir uma razão
A vida é muito curta para viver sem emoção
Você sabe, quando você vai -
Tudo o que sei
É que seu nariz
É meu engano mais feliz
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
domingo, 11 de abril de 2010
Para acabar de vez com algumas Psicologias (quase todas)
Quem controla as emoções e os afetos das pessoas detém o mundo.
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Morrer na tua boca
Não sou ninguém.
Mas se você precisar de alguém,
Posso até me transformar.
Como um da multidão
Me distingüir:
Só pra ver que você me vendo
Nos faz sorrir.
Abandonamos muitos lugares
Para sabermos estarmos juntos,
Abandonamos muitos pares
Para o encontro no parque,
Então não soubemos o que dizer,
Nós, os sábios - os olhos respiravam,
Demasiado acordados,
Muito atentos à invisível escuridão.
O pensamento sobressaltado,
Procurando o modo de estar perto,
Procurando onde pôr as mãos.
Há um fio que de ti eu fui puxando
Que nunca acabou de vir.
As migalhas que deixei pelo caminho
Você, passarinho, tratou de engolir.
Me ofereceu uma bela, vistosa casa
Toda feita, engenhosa, de chocolate.
Veio o sol e nos derreteu.
Você me prendeu em uma gaiola
Toda dona, me alimentando para o abate.
Até que comecei a cantar -
Seus olhos doces e negros
Retribuindo que eu iria calar
Sua fome por alguns momentos.
Que graça mais sutil!
É se oferecer em alimento -
Pouco está mais vivo do que aquilo
Que faz viver, mesmo morrendo.
Depois não existe mais eu e você
Em separados compartimentos:
Eu carregarei num nó
A mordida que você me deu;
E farei um nó no corpo teu
Com o pedaço que de mim tirou.
Mas se você precisar de alguém,
Posso até me transformar.
Como um da multidão
Me distingüir:
Só pra ver que você me vendo
Nos faz sorrir.
Abandonamos muitos lugares
Para sabermos estarmos juntos,
Abandonamos muitos pares
Para o encontro no parque,
Então não soubemos o que dizer,
Nós, os sábios - os olhos respiravam,
Demasiado acordados,
Muito atentos à invisível escuridão.
O pensamento sobressaltado,
Procurando o modo de estar perto,
Procurando onde pôr as mãos.
Há um fio que de ti eu fui puxando
Que nunca acabou de vir.
As migalhas que deixei pelo caminho
Você, passarinho, tratou de engolir.
Me ofereceu uma bela, vistosa casa
Toda feita, engenhosa, de chocolate.
Veio o sol e nos derreteu.
Você me prendeu em uma gaiola
Toda dona, me alimentando para o abate.
Até que comecei a cantar -
Seus olhos doces e negros
Retribuindo que eu iria calar
Sua fome por alguns momentos.
Que graça mais sutil!
É se oferecer em alimento -
Pouco está mais vivo do que aquilo
Que faz viver, mesmo morrendo.
Depois não existe mais eu e você
Em separados compartimentos:
Eu carregarei num nó
A mordida que você me deu;
E farei um nó no corpo teu
Com o pedaço que de mim tirou.
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