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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Exercício de lógica política nº 1 - O “problema” do passe livre



Posições políticas em geral se pautam por em que grupo deve-se baixar os custos de nossos modos de vida. Com o transporte e a proposta de passe livre não é diferente. À primeira vista, parece uma ótima ideia. Afinal, não pagar nada para andar de ônibus é melhor do que pagar R$3,50, não é mesmo? Esta é a perspectiva do usuário.

O que tenho advogado como perspectiva compreensiva envolve fazer um exercício para superar a perspectiva individual (neste caso, a do usuário) e também a perspectiva de classe ou grupo (que determina grupos por suas atribuições ou atributos – o grupos dos usuários, o grupo do governo, o grupo dos trabalhadores – motoristas, cobradores -, o grupo do sindicato, o grupo dos capitalistas – os donos dos ônibus, os concessionários do serviço - , o grupo dos contribuintes, etc.). A perspectiva grupal reúne indivíduos em coletivos, porém opera na mesma lógica individual. O usuário se insere no grupo dos usuários que defende a perspectiva dos usuários. O exercício que proponho pretende que se supere o perspectivismo.

Isto implica pensar o sistema como um todo. O sistema como um todo para todos os envolvidos, e não meramente em função de uma única perspectiva. Quando o usuário propõe o passe livre (para si), é evidente que, em termos de sistema ou totalidade, ele está meramente passando o custo adiante. Porque as propostas de passe livre não garantem que ônibus serão produzidos gratuitamente, que serão mantidos gratuitamente, que o combustível não terá custo algum e que os motoristas e cobradores quererão trabalhar como voluntários não-remunerados. A proposta geral do passe livre tem que se pautar por um financiamento público, isto é, o governo arcar com as despesas.

Sabemos que o governo é uma representação de toda a sociedade. Se o governo pagasse a totalidade da passagem, quem de fato estaria pagando por ela? Todos os contribuintes. Então saímos de uma perspectiva onde é o usuário que paga a passagem para uma onde é o contribuinte que paga a passagem. Isso não serve ao contribuinte. Por quê? Porque o contribuinte que não utiliza o transporte público teria muito pouco interesse pessoal em financiar um serviço que não lhe serve e do qual não se beneficia, ou se beneficia muito pouco.

Logo temos um problema tipicamente político: pessoas de interesses diferentes advogam seus pontos de vista particulares e entram numa arena onde debate e poder se mesclam para definir qual perspectiva será vencedora. O grupo dos contribuintes advogaria o contrário: repassar a totalidade do custo de volta ao usuário. Temos aqui claro uma disputa de interesses inconciliável. O que é benéfico e interessa a um grupo é exatamente o contrário ao que é benéfico e interessa a outro grupo. Como resolver o problema? O que eu quero propor com perspectiva compreensiva é um jeito de englobar todas as perspectivas envolvidas, sem querer simplesmente passar o custo de um grupo para outro. Para isso é necessário arranjar sistemas de organização onde o custo possa ser alcançado através de produtividade (entregar um melhor resultado com menor consumo de recursos), pois terceirizar o custo não o altera, apenas transfere sua responsabilidade. Antes no do outro que no meu, é claro, mas quem sabe não haveria um jeito que pudesse ser adequado a todos? Por mais que impossível seja, mister é tentá-lo.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Desgoverno



Governo Federal descumpre a lei e altera a lei para não ser incriminado (em crime de responsabilidade fiscal). Quarto poder (o povo e a opinião pública) assiste impassível, acreditando que só existem três poderes: http://www.revistaamalgama.com.br/11/2014/a-lei-ora-a-lei/

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

"A solução para o nosso povo eu vou dar..."1



Ricardo Amorim avisou... semana passada? Não, em 2011. Ele avisou que a vida ia piorar para quem tinha condições? Não, ele avisou que ia piorar para quem tinha menos condições. Mas, repete aí, Amorim, qual é o remédio para segurar a inflação? O que é que tem que fazer para frear o preço do tomate, da energia elétrica e tudo o mais?

Ricardo Amorim: “No caso, o remédio é a elevação da taxa de juros, que, além de frear a atividade econômica, também funciona como um mecanismo concentrador de renda. Enquanto os mais pobres, normalmente, tem dívidas, cujo financiamento fica mais caro com a alta dos juros; os mais ricos tem aplicações financeiras, cuja rentabilidade sobe junto com os juros.”

E o que deveríamos fazer?

Amorim: “Para reacelerar o processo de redistribuição de renda no Brasil, [...] o governo precisaria, apenas, de mais duas medidas. Primeiro, aumentar investimentos em educação básica. [...] Além disso, o governo deveria reduzir seus gastos. Assim, diminuiria sua necessidade de financiamento, permitindo que os juros caíssem. Permitiria também a redução de impostos, que, no Brasil, penalizam os mais pobres com uma concentração de impostos sobre consumo.”

Texto completo: http://ricamconsultoria.com.br/news/artigos/aposentando-a-maquina-concentradora-de-renda-062011

1 Título por Raul Seixas: Aluga-se

sábado, 24 de maio de 2008

Um pouco do invisível na terra à vista

Contamos com que este à vista não seja o modo de pagamento pelo qual se vende a terra.
"Sobre a desigualdade social": sejamos espertos, sejamos modernos - a democracia está primeiramente no diálogo.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Política (um título pouco satisfatório para um texto pouco satisfatório)

Durantes estas duas semanas, a proposta vai ser quase simplesmente fazer uma viagem (vai ser uma viagem com uma pequena introdução). O poste está dedicado a Sandro do Nascimento, outro incompreendido artista contemporâneo. O agradecimento é ao Daniel Dutra e à Talita Tibola, que hoje em dia são as pessoas que mais me dão o que pensar.

Assim como um artista sente no íntimo a irrevogável conveniência de mudar de estilo, também sente o vivente (até um simples silogismo aristotélico corrobora isso). Durante muito tempo me calar foi o modo que encontrei para poder estar contigo. Mas queres também minha voz intrusa e delicada. O riso que esgarça tua carne, escarnecida. As lágrimas que te louvam, demonstrando geometricamente a diferença entre tua presença e tua ausência, teu amor e tua indiferença. Não estás pronta, não é motivo pra te jogar fora. Talvez nunca estejas, ainda assim. É muito certo que te machucar seja o meu último recurso, mais último que morrer, esta crisálida, devir-borboleta, não sei dizer melhor 'que dizes. No seu limite e no meu limite é que nos encontramos. E se nossa relação real é superficial porque não sabemos nos comunicar, mostrar que nos amamos, para além dos estereotipos (os tipos estéreis, duros) - 'você não me entende', 'você me irrita', 'você não me dá atenção', quais mais temos? -, há algo de nossa relação profunda que não me permite ser sem ti. Agradeço então por existir em minhas fantasias, ser para mim mais do que o comunicável. A vida é um texto, e todo texto se presta a que, depois dele, a vida nunca mais seja a mesma. Sei que isso não acontece senão imperceptivelmente, e por isso nada me tem sido mais insosso que a distância dos corpos transformada em palavras. Não são essas as borboletas que queríamos. Ser ambíguo é meu jeito de ir além dos limites. Na verdade, não sei o teu. A impressão que tenho é constantemente essa, de que a gente não se conhece, senão pelos estereótipos. Algo acontece quando o fim é muito premente mas os meios não fluem. Eu me encho de defesas, começo a dizer, fazer o contrário do que penso mas nem por uma exata ironia.
Deixemos os prolegômenos para enfim viajar: http://radamesm.wordpress.com/2007/10/20/sou-tropa-de-elite
- comentário de um posto do Radamés Manosso, alguém que é mais do que um produtor de conteúdos educacionais para internet. Vamos conhecê-lo?