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sábado, 22 de julho de 2017

A arte mais fácil



A arte de perder não é difícil de aprender:

Tantas são as coisas feitas para serem perdidas

Que perdê-las não é nenhum desatre.



Perca algo hoje. Perca algo todo o dia.

Aceite o não saber das chaves e o gasto dos escassos minutos:

A arte de perder não é difícil de aprender.



Então pratique perder mais, perder mais rápido:

Lugares, e nomes e onde é que querias ir.

Nada disso lhe será desastre.



Eu perdi o relógio de minha mãe.

E olhe! Minha última, ou quase-última

Amada casa foi-se. Não é difícil!



Perdi duas amáveis cidades.

E mundos, reinos inteiros!

Senti sua falta, mas quedo intacto.



Até mesmo perder você, o que mais amo...

Não devo mentir!

Muito embora tudo o que se perca

Uma catástrofe nos pareça -

É muito evidente,

Nada é mais fácil do que a arte de perder!







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Original Poem by: Bishop, Elizabeth. The Complete Poems: 1927–1979 (Farrar, Straus, and Giroux, 1983)

Tradução por: Franco, Guilherme Henz.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Aγάπη, ou a autossuficiência generosa



O comportamento adequado, ideal ou propício é atingido mediante a gestão daquelas atitudes que são determinadas pelos valores supremos. Esta gestão é alcançada através do cultivo de afetos adequados. O tornar-se humano é perpretado através da aquisição da cultura. O ser humano é um jardim de afetos, emoções, sentimentos, ideias, atitudes e valores. O cultivo do jardim, por autonomia ou heteronomia, enseja a adequada motivação para agir, onde emoções e sentimentos propiciam as condições internas tidas como corretas.

Há três valores supremos: um emocional (afeição), um intelectual (curiosidade) e um prático (diligência). Temperança e humildade são os desdobramentos naturais da afeição. Afeição é o sentimento que nos mostra que o melhor mundo depende de nossa boa vontade e do nosso bom desejo, daquilo que cultivamos de melhor, de nossa generosidade, de nossa disposição em interpretar tudo da melhor maneira. Afeição é o modo pelo qual qualquer ser pode conceder (a outrem) ou exprimir (em si) a graça. A temperança se desdobra da afeição, pois interpretar tudo da melhor maneira, isto é, da maneira mais benevolente possível (sem incorrer em inexatidões), nos obriga a ter um controle sobre os afetos negativos, e nos advoga a ter predileção pelos afetos moderados, ou que não produzam moléstia em sua imoderação. Do mesmo modo, a humildade se desdobra da afeição, pois a vontade que interpreta tudo do melhor modo pode apenas oferecer ao ambiente o melhor de si, sem tomar dele nada mais do que o necessário.

No entanto, nada de verdadeiramente bom nasceria da afeição, de modo frutífero, sem ao menos a boa presença tanto da curiosidade quanto da diligência. A curiosidade (a vontade de conhecer) é que nos leva a entender as coisas tal como elas realmente são. A benevolência como estado de espírito precisa ser fundada num conhecimento adequado das coisas. A generosidade que não se funda num processo consistente de avaliação arrisca-se a ter sua nobre intenção contradita pela sua própria prática. Sem ser guiada pelo correto conhecimento de como as coisas são, o que só pode existir mediante a curiosidade, nenhuma ação ou prática poderia ser inteligentemente adequada ou propícia a um estado de coisas, seja este estado dado ou ideal. Por outro lado é a diligência (o perseverar na ação em virtude de seus efeitos) que garante que o melhor das nossas intenções tenha o efeito devido no mundo real.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Our love and our liberty



"But you will never be completely free from risk if you're free”1






2





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1 Quote by: Snowden, Edward (2015). Interview with John Oliver.

2 Music by: Hardin, Tim (1969). Simple song of freedom. (1996 - Simple Songs of Freedom: The Tim Hardin Collection. Legacy/Sony. Track 1.)



sábado, 27 de dezembro de 2014

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Capitalizar a revolução humanista



Viver, amigo, é ser soldado1


2


3



A educação é uma construção horizontal, vertical, ética, lógica e empírica. A partir desta concepção, é melhor ser honesto do que genial. É melhor ser simples e inteligível do que ser complexo e revolucionário.

O simples fala a todos e pode, portanto, mudar o mundo. O complexo não dialoga com ninguém.

É o pragmatismo que nos diz: não há revolução sem metas. Isso implica, no mínimo, um prazo, um objetivo, dois planos, inúmeras preparações e, o principal, a execução antes da aurora.

Até quando você tem para terminar o que já deveria ter começado?

E quando, finalmente,
nosso inimigo chegar
- e ele nao está em toda parte? -,
Seremos tão rápidos
Que estivemos lá antes.


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1Epígrafe por Sêneca, Lúcio Anneo (2012). Aprendendo a Viver. Tradução de Lúcia Sá Rebello. L&PM. P. 98. Citação adaptada.

2Imagem por Lovering, Tom, captando escultura de Cochrane, Marco - Truth is Beauty.

3Música por Gabriel, O Pensador (2001). Até Quando? Sony: Seja Você Mesmo (mas não Seja sempre o Mesmo). Track Number 2.



quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Adeus, solidão!

1


Eu não sei porque culpo tanto os outros,
quando há tanta coisa melhor a fazer.
A noite cai, a vida queda distante;
mas sou crescida, tenho minhas cicatrizes
e o dia nasce por si só.


A solidão ecoa, não é a primeira vez;
hoje tenho um cobertor; amanhã, a maçã -
para me sentir nova de novo,
e voltar a ser algo indispensável,
sorrir como se acreditasse na minha própria potência.


Eu preciso deste pecado -
se na vida não há o certo, cabe errar do meu jeito!
É isso o que sou, não pedi remédio -
mais veneno! Mais veneno!

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Na perspectiva epistemológica individual, subjetiva (porque a subjetividade implica o individualismo, a singularidade da percepção), quando um morre, tudo morre. Daí a importância de adotar uma perspectiva intersubjetiva, na qual a validade social é possível.

[In the individualistic, subjective epistemological perspective (considering that subjectivity implies the individualism, the singularity of perception), when one dies, everything dies. Hence the importance of adopting an intersubjective perspective, in which the social validity is possible.]

2


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1 Image by: Lilian Maus - N28 A-B, série Área de cultivo

2 Music by: Amy Winehouse - Tears dry on their own

sábado, 16 de fevereiro de 2013


A vida é muito curta para cometer um engano
A vida é muito curta para se arrepender
(Só há enganos enquanto a mente entende
Que é capaz de entender)
A vida é muito curta para construir uma razão
A vida é muito curta para viver sem emoção
Você sabe, quando você vai -
Tudo o que sei
É que seu nariz
É meu engano mais feliz

domingo, 6 de dezembro de 2009

O que mais me assusta

E o que mais me causa medo
é o poder que tenho de te deixar triste.



Uau... Depois que pulei, é que me ocorreu...
A vida é perfeita - a vida é a melhor, cheia de magia, beleza, oportunidade e... televisão!... E surpresas ... montes de surpresas, sim. E então há o melhor, claro - melhor do que qualquer coisa que qualquer um tenha feito, porque é real...


Você pega um estranho pela mão -
Um homem que não entende
Seus sonhos mais selvagens

Você atravessa a areia suja
E oferece-lhe um oceano
Do que ele nunca viu...

Talvez eu fosse cego
Ou eu, eu poderia ter fechado os olhos,
Talvez eu fosse bobo,
Mas o que eu esqueci de dizer,
Se você não sabe,
É nunca me deixe ir.


Nunca me deixe ir
Nunca me deixe ir
Nunca me deixe ir


...Você corre do amor e não acredita,
A não ser que lhe pegue pelo calcanhar,
E, mesmo assim, você luta

Pelo vermelho eu aprendi a cruzar a orla
Suas pegadas ainda lá na areia
Tudo o mais pela maré tragado...

Eu posso não estar sozinho
Oh, eu, talvez tenha encontrado meu lar
Posso ter perdido meu caminho
Mas o que esqueci de dizer,
No caso de você não saber...
...Nunca me deixe ir

...Nunca me deixe ir...
...Nunca me deixe ir...


-
U2 & The Mdh Band - Never Let Me Go

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Filósofos-Artistas

Estão perdidos.


"Aye, we're good and lost now... For sure, you have to be lost to find a place that can't be found..."

Incidental art by Pirates of the Caribbean: At World's End -
Citation of Barbossa, Hector.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Não te apaixones ainda...



Não te obceques ainda,
Recém me conheceste.
Verdade, estou apaixonado
Por ti mas
Podes decidir
Que sou maluco.
Dá-me uma semana ou duas
Para eu pirar o cuco -
E quando perceberes o erro
Podes correr em desespero
Como todo mundo.

Saiba logo que estou pra me engraçar
E se você tropeçar
Meu coração vai certamente quebrar.

Não seja tão doce,
Não haverá remédio
Não seja tão doce -
Não sou de ferro.
Não seja, a menos que queiras
Condenar meu coração
a bater em mim na tua mão.

The Magnectic Fields - Absolutely Cuckoo

sábado, 29 de agosto de 2009

Senza te - insensatez

*

Tenho fome.
E te espero.
Apaixono-me por enganos.
Me sinto deprimido, me sinto mal
Porque és a melhor garota que já conheci.

Não consigo ganhar teu amor, sequer qualquer fração -
Oh, minha linda, reação psicótica!

Me sinto solitário noite e dia.

Não consigo teu amor, devo permanecer longe.

Bem, eu preciso de ti, garota, ao meu lado.

Não logro teu amor, não obtenho satisfação;
Oh, menininha, só me sobra a psicótica reação!

---
* - The Count Five - Psychotic Reaction
** - Imagens por Charlie Chaplin - The Gold Rush

terça-feira, 30 de junho de 2009

La Belleza será comestible o no será



Burning Love; Salvador. Burning Giraffe, Elvis.

Girl, girl, girl, you
gonna set me on fire!
Cause your kisses lift me higher
And you fuel my morning sky - with burning love!
Uh-uh-uh, I feel my temperature raising!
Burning, burning,
burning - and nothing can cool me!
I just might turn into smoke
But I feel fine!...

quinta-feira, 24 de maio de 2007

"Você passa e não me olha, mas eu olho pra você. Você não me diz nada, mas eu digo pra você. Você por mim não chora, mas eu choro por você" Ben Jor

Olha uma beleza passando, como não querê-la, como não chorar? Sim, eu sempre perco, mas não penso nisso, eu penso no que ganho, eu penso nesta presença que há para mim, que presença não pode iluminar?

Como não ter esta disposição de te abraçar para sempre, mesmo que eu não vá te abraçar para sempre? Como não ver o sol chorando, fazendo das suas lágrimas a amplidão azul?

Você, você, você e você, amada, querida e desejada, e todas as outras [de você]; oh, todas as vidas com que me encanto! Como não dizer quanta falta elas me fazem?, mesmo sabendo que elas existam para mim por excesso - Só com imaginação; só com a minha boba fantasia o que eu quero se torna presente, Porque você, você, você e você e eu não temos braços, nem palavras, nem rios, nem peles, nem corpos, aparentemente; ou, se temos, não fazemos uso deles, o que, em termos de efeitos, dá quase no mesmo. Mas o que me permite vestir as fantasias é me reconhecer nos nossos olhares fugidios.

É porque nossas solidões nos desesperam, ou talvez exatamente por não nos desesperarem, que o nosso melhor encontro se queda dificultado; o nosso encontro mais calmo, mais íntimo, onde não só nossas superfícies se encontram, mas também nossas profundidades.

E eu diria tudo, mais verdadeiro, mais amoroso, mais por ti e mais por mim, um encontro mais significativo, mais intenso, porque mais encontrador e mais encontrado.

O silêncio é mais que o fim, é o começo: despir-nos de nossas macaquices, de nossos medos, para começar a poder sermos nós mesmos.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

"Te espero para ver se você vem, não te troco nesta vida por ninguém" Tim Maia

eu fico longe
que é pra ver se você vem.

pego no seu pé
porque na mão não posso.

nosso desentendimento nos salva,
diz minha velha consciência.

como você não entende
que eu não posso te falar
o que você não quer ouvir?

é como se fosse simples
você só ouve o que quer
então se você não ouve
o que eu quero dizer
eu não tenho o que dizer.

você diz escolhe a mesa
mas depois não quer a mesa que escolhi.

é como se fosse simples
você não quer ouvir o que eu quero dizer
e eu não quero dizer o que você quer ouvir

e, no entanto, a gente pensa que se ama.
o que é o amor mesmo?

sábado, 5 de maio de 2007

070424

Estou parindo alguém de mim. Não é que doa ter que mudar, criar novos hábitos, estar inseguro; dói é ser ainda alguém que não se encaixa mais no mundo. O que dói é este eu que morre enquanto pare, e que resiste à morte, não quer ir. Às vezes penso que eu mesmo queria completude, permanência. Se nós dois soubéssemos ser o mundo, não precisaríamos nos despedir. Às vezes eu nem mais sei o que é o ideal, só sei que estranho o real, estranho o amor dos outros, estranho o amor meu. Não reconheço nada disso, nem mundo, nem amigos, nem o amor, companheiro tão íntimo e de longa data, não reconheço a mim próprio. Achei este pensamento em redor de minhas confusões, e ele parece muito apropriado: se faltam meios, é porque não há fins. De novo eu pergunto pelo meu fim; às vezes nem minha ambigüidade parece capaz de me ajudar. É que ainda não sou ambíguo o suficiente. Estou muito acostumado a viver à beira do máximo. Pelo menos há agora ainda um máximo, embora não seja um máximo de conforto, de alegria ou de prazer. Mas eu sei que sei afirmar cada bobagem e cada coisa terrível, e, enquanto eu tiver esta crença travestida de saber eu vou tentar. Morro ainda jovem, para poder nascer de novo, e ser mais jovem ainda. Morro para não contar nada além de minha liberdade. Quero amar como nós somos. Se você souber ainda sorrir para mim...

Como a liberdade não vai ser o melhor?
É isso, para não ver quanto sou livre
Eu tive que me ater ao dado;
mas há o jogo. Se eu quero te machucar?
Se assim podemos ser felizes?

Me machuca que eu serei ainda feliz.
Nós próprios somos o mal e o remédio.

Há um detalhe perdido num instante
Que faz toda a vida valer a pena.

É isso, e você os tem.
Não são meus, mas você os acha.
Quero que não sejam meus.
Na verdade, eu quero não ser perfeito.
Dou-te a tua liberdade.

Se não vivo o máximo,
é ocasião de ser o máximo.
Abro bem meus olhos,
aprumo minha coluna,
Estou pronto para todos os desejos
Os seus e os meus.