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sábado, 23 de janeiro de 2016

Noite



“Vem, Noite, antiquíssima e idêntica“1
Também tu és nada -
No entanto, lança teu manto
Sobre o nada que somos.


Redime a falta de tudo
Com nada.
Vem e aplaca
A angústia do impossível.
Vem e ensina
A ser nada com calma.




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1 Quote by: Pessoa, Fernando "Álvaro Campos" (1914). Dois Excertos de Odes (Fins de duas odes, naturalmente). In: http://arquivopessoa.net/textos/124 (2016).

2 Image by: Goya, Francisco (1823). In: http://www.wikiart.org/en/francisco-goya/inquisition-scene-1819#supersized-artistPaintings-194050

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Adeus, solidão!

1


Eu não sei porque culpo tanto os outros,
quando há tanta coisa melhor a fazer.
A noite cai, a vida queda distante;
mas sou crescida, tenho minhas cicatrizes
e o dia nasce por si só.


A solidão ecoa, não é a primeira vez;
hoje tenho um cobertor; amanhã, a maçã -
para me sentir nova de novo,
e voltar a ser algo indispensável,
sorrir como se acreditasse na minha própria potência.


Eu preciso deste pecado -
se na vida não há o certo, cabe errar do meu jeito!
É isso o que sou, não pedi remédio -
mais veneno! Mais veneno!

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Na perspectiva epistemológica individual, subjetiva (porque a subjetividade implica o individualismo, a singularidade da percepção), quando um morre, tudo morre. Daí a importância de adotar uma perspectiva intersubjetiva, na qual a validade social é possível.

[In the individualistic, subjective epistemological perspective (considering that subjectivity implies the individualism, the singularity of perception), when one dies, everything dies. Hence the importance of adopting an intersubjective perspective, in which the social validity is possible.]

2


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1 Image by: Lilian Maus - N28 A-B, série Área de cultivo

2 Music by: Amy Winehouse - Tears dry on their own

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Filósofos-Artistas

Estão perdidos.


"Aye, we're good and lost now... For sure, you have to be lost to find a place that can't be found..."

Incidental art by Pirates of the Caribbean: At World's End -
Citation of Barbossa, Hector.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Quão logo é agora?*




Ojaypatrick - Sunset soon forgotten

"Dark and difficult times lie ahead. Soon we must all face the choice between what is right and what is easy. Remember that you have friends"**

Sombrios e difíceis tempos quedam à frente. Em breve, nós todos devemos encarar a escolha entre o certo e o fácil. Lembra que tens amigos...

Dumbledore é sábio o suficiente para saber que não existe o errado (e também Morrisey). Escolhendo o fácil, atuaremos no sentido de tornar nossos amigos menos leais...

Além disso, aquilo que à primeira vista se mostra fácil aparece diferente nas vistas seguintes, mais profundas: uma vida com amigos menos leais é mais difícil...

Convém desconfiar do efeito mais imediato: de fato ele é o mais básico, mas é como numa partida de xadrez. É um jogo de se-então imenso: de pouco adianta tomar a rainha do amigo adversário se com isso nosso rei fica exposto a um cheque-morte (eis o x da questão). Está pré-datado. Convém antever o próximo lance, e então o próximo, e depois o próximo. Jogar lixo ao chão é mais fácil, porém, como não viveremos assim com o lixo, mais tarde ele dará mais trabalho (sim, dará até mais emprego, o que não é intrinsecamente algo bom: como vimos, dar trabalho é algo fácil, o mais importante é dar o trabalho certo, isto é, numa linguagem mais exata, dar o melhor trabalho, que geralmente é o mais útil). Sermos imediatistas é importante, porém não é aconselhável que a imediatez de alguns efeitos seja o único critério. Claro que, ao lidarmos com muitos critérios, ou seja, com muitas variáveis, nossa análise-cálculo fica mais complicada, mais difícil, mas a exatidão, valiosa a filósofos, cientistas e vulgos, cobra seu custo, que nada mais é do que o estritamente necessário.

"Serei tão breve que na verdade já terminei:"

Salvador Dalí - La persistencia de la memoria


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*The Smiths - How soon is now? in: Meat is Murder. Rough Trade, London, 1985:

eu sou o sol
eu sou o ar
de uma timidez que é criminalmente vulgar
eu sou o sol e o ar
de nada em particular

fecha tua boca
como podes dizer
que eu abordo as coisas do jeito errado?
eu sou humano e preciso ser amado
tanto quanto todos os outros corpos precisam

eu sou o filho
e o herdeiro
de uma timidez que é criminalmente vulgar
eu sou o filho e o herdeiro
de nada particular

tu calas a boca -
com que fundamento dizes
que faço as coisas do jeito errado?
eu sou humano e preciso ser amado
só como todas as outras pessoas precisam

há um clube, se gostarias de ir
podes encontrar algum corpo que realmente te ama
então tu vais, e permanece na tua
e tu sais na tua
e tu vais pra casa e choras
e desejas morrer

quando tu dizes vai acontecer "agora"
bem, quando exatamente você significa?
veja, eu já esperei muito longamente
e toda minha esperança já era

Ah, silencia a boca!
como podes dizer
que lido com as coisas do modo errado?
eu sou humano e preciso ser amado
justo como qualquer mais precisa

**Citação de J. K. Rowling, Harry Potter and the Goblet of Fire. Aquilo com cabeça, asas de águia e corpo de leão é meu, como de costume.

Os filósofos talham conceitos, os artistas, metáforas, e os bobos, equívocos.
Equívoco equivale a erro somente para lógicos muito duros, que não sabem aproveitar a simultaneidade. O bobo beneficia-se da ambigüidade do tempo.


Astrovine - Time Sink

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Para te mostrar o que é força

Sóbrias sobreposições ainda não te embriagaram o suficiente para te fazer embarcar no maior detalhe do menor escrúpulo. A afirmação do teu ouvido fechará os olhos muito depois das reverbações do meu sussuro. Digo teu nome, você morde o ciúme, derrete porque há calor, e não há realidade que pare de engendrar um delírio esvoaçante. Pede a materialidade, porque está dopada de energia. Entre os dentes, escorre o sangue, vejo quando ergues o rosto, olhos insanos, risada saciada. Não me bastam tuas garras para acabar com o meu prazer, torne o mundo úmido, tépido, derrame a maciez. Vai, me suga como se eu pudesse explodir.
Não importa quão branca, quão loira, quanto azul você derrama, volto, quero mais, como se você fosse mais escura que o breu à sombra, e obrasse um cadáver de grandes órbitas ávidas a ver a vida. E não importa quão rubra, quão verde, quanta raiva despeje de ti, somos muito grandes para poder sucumbir. Esfrega, aperta, faze o que preferes, suja, desafia o meu amor de labirinto, maior que qualquer fio.
A vontade é um turbilhão que derruba e desvia qualquer parede. Não preciso de portas com a furiosa delicadeza, tão exata quanto o teu desejo.