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sábado, 23 de janeiro de 2016

Noite



“Vem, Noite, antiquíssima e idêntica“1
Também tu és nada -
No entanto, lança teu manto
Sobre o nada que somos.


Redime a falta de tudo
Com nada.
Vem e aplaca
A angústia do impossível.
Vem e ensina
A ser nada com calma.




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1 Quote by: Pessoa, Fernando "Álvaro Campos" (1914). Dois Excertos de Odes (Fins de duas odes, naturalmente). In: http://arquivopessoa.net/textos/124 (2016).

2 Image by: Goya, Francisco (1823). In: http://www.wikiart.org/en/francisco-goya/inquisition-scene-1819#supersized-artistPaintings-194050

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Space Oddity, Odisseia Espacial



Tanto a busca pela realidade

quanto o gosto pela fantasia

encontram o mesmo fim:

uma cova comum

com um epitáfio ilusório



1
2



-

3 From M. T.'s testament:

"...There must be a control, specially one from the ground, which is safe. Someone check that. Take the pills, 'cause the food we produce is not nutritive anymore, and the edible lifeforms are rare. Those pills will also let you centered on your mission, which is not your chosen mission, is the mission that we designed and designated for you. The pills will avoid distractions and attention driven to your unknown side, which is disturbing and not really you. Turn the engine, 'cause we'll need a lot of automatic resources. It will lead us ahead. We need the machines to produce us what is vital. Now we can ride in a stunning velocity, even though we cannot feel it. The sky and the Earth are blue, and I can barely breathe..."

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1 Image by: Kubrick, Stanley (1968). 2001: a Space Odissey. MGM.

2 Music by: Ramil, Vitor (2000). Estrela, estrela. Satolep Music: Tambong. Track 12.

3 Quote by: Tom, Major (2029). Testament. In: Jones, Davy (1969). Space Oddity. Mercury: David Bowie. Track 1.



domingo, 29 de março de 2009

Romanticão (Safadeza n.º 0)

"Desnuda eres tan simple como una de tus manos:
lisa, terrestre, mínima, redonda, transparente.
Tienes líneas de luna, caminos de manzana.
Desnuda eres delgada como el trigo desnudo.

Desnuda eres azul como la noche en Cuba:
tienes enredaderas y estrellas en el pelo.
Desnuda eres redonda y amarilla
como el verano en una iglesia de oro.

Desnuda eres pequeña como una de tus uñas:
curva, sutil, rosada hasta que nace el día
y te metes en el subterráneo del mundo

como en un largo túnel de trajes y trabajos:
tu claridad se apaga, se viste, se deshoja
y otra vez vuelve a ser una mano desnuda."

Desnuda, Neruda.


Digo que vou pôr só a cabecinha, mas lá no fundo ela gosta.

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quinta-feira, 17 de maio de 2007

para quê mesmo perguntar pela tristeza?

Antigamente, este blog tinha por título "O que é isto, a tristeza?". A intenção da pergunta era que ela funcionasse não como um processo de curiosidade, mas que denotasse determinada postura, que entrasse em um processo de desconhecimento, de estranhamento da tristeza.

Não que a intenção não seja boa, nem que a tentativa tenha falhado. Acontece que a própria intenção do blog é flutuante, e eu não saberia elaborar um título ou uma descrição que sintetizasse esta intenção, é mesmo difícil fazer isso ainda apenas considerando somente a intenção momentânea do mesmo.

Então se antes a intenção era não responder à pergunta, me dei conta que o melhor que tinha a fazer era simplesmente calar-me, já que não estava perguntando por nada, efetivamente, e o silêncio é a melhor afirmação do desinteresse.

Talvez uma das intenções do blog seja mudar, também porque isso não é alguma coisa à qual se possa escapar, a mudança. Então se a minha primeira proposta era parir outro de mim, aí está, e aí está estando, ainda não deixei de parir.

Aliás, já que estou nesta espécie de tom editorial, que se anuncie que aquilo que foi identificado como a principal intenção do blog era exatamente existir mais. Neste sentido, agradeço àqueles que me ajudarem divulgando este blog. Obviamente que vocês só farão isso se tiverem gostado dele, então para mim isso seria duplamente gratificante.

O novo título ("O que consigo afirmar?") é contíguo ao antigo; incrível que pareça sou um cara constante. Diria que é mais sintomático, querendo dizer com isso que ele se torna um índice do modo de operação do blog, que é a escrita, e também que é melhor em dois sentidos: primeiro porque pergunto pela minha própria potência, e segundo porque pergunto pela minha alegria. Coisas pelas quais estou efetivamente interessado. Se trata realmente mais de enunciar afirmando (mostrar através de propostas positivas) do que de conceituar (aqui, pelo menos, serei mais artista que filósofo).

Creio que, durante toda minha vida, tenho afirmado sem saber muito aquilo mesmo que afirmo. Meu próprio questionamento é, assim, providencial e oportuno, pois me torna mais responsável com aquilo mesmo que eu afirmo. Afinal, quero que Jesus não se refira a mim quando proponha perdoar aqueles que não sabem o que fazem; é uma condição terrível para um artista não saber aquilo que criou, aquilo que destruiu ou como o fez. De casual já basta o universo.

Que a viagem prossiga.

Um abraço pessoal (sim, esta frase não tem vírgula entre o abraço e o pessoal - mas não se acostume comigo explicando aquilo que digo; me considero alguém sutil e direto, por mais que isso pareça uma contradição, já que a sutileza é algo que aparece pouco; dou esta chance exatamente porque vocês não me conhecem e exatamente para me conhecerem mais).