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sábado, 2 de setembro de 2017
sábado, 22 de julho de 2017
A arte mais fácil
A arte de perder não é difícil de aprender:
Tantas são as coisas feitas para serem perdidas
Que perdê-las não é nenhum desatre.
Perca algo hoje. Perca algo todo o dia.
Aceite o não saber das chaves e o gasto dos escassos minutos:
A arte de perder não é difícil de aprender.
Então pratique perder mais, perder mais rápido:
Lugares, e nomes e onde é que querias ir.
Nada disso lhe será desastre.
Eu perdi o relógio de minha mãe.
E olhe! Minha última, ou quase-última
Amada casa foi-se. Não é difícil!
Perdi duas amáveis cidades.
E mundos, reinos inteiros!
Senti sua falta, mas quedo intacto.
Até mesmo perder você, o que mais amo...
Não devo mentir!
Muito embora tudo o que se perca
Uma catástrofe nos pareça -
É muito evidente,
Nada é mais fácil do que a arte de perder!
---------------------------------------
Original Poem by: Bishop, Elizabeth. The Complete Poems: 1927–1979 (Farrar, Straus, and Giroux, 1983)
Tradução por: Franco, Guilherme Henz.
sábado, 20 de outubro de 2012
Morrer depois
Desfrutar da produção em vez de produzir mais era a ordem do dia... mas quem sempre pretendeu inebriar-se pode se contentar com tão pouco?
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Política (um título pouco satisfatório para um texto pouco satisfatório)
Durantes estas duas semanas, a proposta vai ser quase simplesmente fazer uma viagem (vai ser uma viagem com uma pequena introdução). O poste está dedicado a Sandro do Nascimento, outro incompreendido artista contemporâneo. O agradecimento é ao Daniel Dutra e à Talita Tibola, que hoje em dia são as pessoas que mais me dão o que pensar.
Assim como um artista sente no íntimo a irrevogável conveniência de mudar de estilo, também sente o vivente (até um simples silogismo aristotélico corrobora isso). Durante muito tempo me calar foi o modo que encontrei para poder estar contigo. Mas queres também minha voz intrusa e delicada. O riso que esgarça tua carne, escarnecida. As lágrimas que te louvam, demonstrando geometricamente a diferença entre tua presença e tua ausência, teu amor e tua indiferença. Não estás pronta, não é motivo pra te jogar fora. Talvez nunca estejas, ainda assim. É muito certo que te machucar seja o meu último recurso, mais último que morrer, esta crisálida, devir-borboleta, não sei dizer melhor 'que dizes. No seu limite e no meu limite é que nos encontramos. E se nossa relação real é superficial porque não sabemos nos comunicar, mostrar que nos amamos, para além dos estereotipos (os tipos estéreis, duros) - 'você não me entende', 'você me irrita', 'você não me dá atenção', quais mais temos? -, há algo de nossa relação profunda que não me permite ser sem ti. Agradeço então por existir em minhas fantasias, ser para mim mais do que o comunicável. A vida é um texto, e todo texto se presta a que, depois dele, a vida nunca mais seja a mesma. Sei que isso não acontece senão imperceptivelmente, e por isso nada me tem sido mais insosso que a distância dos corpos transformada em palavras. Não são essas as borboletas que queríamos. Ser ambíguo é meu jeito de ir além dos limites. Na verdade, não sei o teu. A impressão que tenho é constantemente essa, de que a gente não se conhece, senão pelos estereótipos. Algo acontece quando o fim é muito premente mas os meios não fluem. Eu me encho de defesas, começo a dizer, fazer o contrário do que penso mas nem por uma exata ironia.
Deixemos os prolegômenos para enfim viajar: http://radamesm.wordpress.com/2007/10/20/sou-tropa-de-elite
- comentário de um posto do Radamés Manosso, alguém que é mais do que um produtor de conteúdos educacionais para internet. Vamos conhecê-lo?
Assim como um artista sente no íntimo a irrevogável conveniência de mudar de estilo, também sente o vivente (até um simples silogismo aristotélico corrobora isso). Durante muito tempo me calar foi o modo que encontrei para poder estar contigo. Mas queres também minha voz intrusa e delicada. O riso que esgarça tua carne, escarnecida. As lágrimas que te louvam, demonstrando geometricamente a diferença entre tua presença e tua ausência, teu amor e tua indiferença. Não estás pronta, não é motivo pra te jogar fora. Talvez nunca estejas, ainda assim. É muito certo que te machucar seja o meu último recurso, mais último que morrer, esta crisálida, devir-borboleta, não sei dizer melhor 'que dizes. No seu limite e no meu limite é que nos encontramos. E se nossa relação real é superficial porque não sabemos nos comunicar, mostrar que nos amamos, para além dos estereotipos (os tipos estéreis, duros) - 'você não me entende', 'você me irrita', 'você não me dá atenção', quais mais temos? -, há algo de nossa relação profunda que não me permite ser sem ti. Agradeço então por existir em minhas fantasias, ser para mim mais do que o comunicável. A vida é um texto, e todo texto se presta a que, depois dele, a vida nunca mais seja a mesma. Sei que isso não acontece senão imperceptivelmente, e por isso nada me tem sido mais insosso que a distância dos corpos transformada em palavras. Não são essas as borboletas que queríamos. Ser ambíguo é meu jeito de ir além dos limites. Na verdade, não sei o teu. A impressão que tenho é constantemente essa, de que a gente não se conhece, senão pelos estereótipos. Algo acontece quando o fim é muito premente mas os meios não fluem. Eu me encho de defesas, começo a dizer, fazer o contrário do que penso mas nem por uma exata ironia.
Deixemos os prolegômenos para enfim viajar: http://radamesm.wordpress.com/2007/10/20/sou-tropa-de-elite
- comentário de um posto do Radamés Manosso, alguém que é mais do que um produtor de conteúdos educacionais para internet. Vamos conhecê-lo?
quinta-feira, 17 de maio de 2007
para quê mesmo perguntar pela tristeza?
Antigamente, este blog tinha por título "O que é isto, a tristeza?". A intenção da pergunta era que ela funcionasse não como um processo de curiosidade, mas que denotasse determinada postura, que entrasse em um processo de desconhecimento, de estranhamento da tristeza.
Não que a intenção não seja boa, nem que a tentativa tenha falhado. Acontece que a própria intenção do blog é flutuante, e eu não saberia elaborar um título ou uma descrição que sintetizasse esta intenção, é mesmo difícil fazer isso ainda apenas considerando somente a intenção momentânea do mesmo.
Então se antes a intenção era não responder à pergunta, me dei conta que o melhor que tinha a fazer era simplesmente calar-me, já que não estava perguntando por nada, efetivamente, e o silêncio é a melhor afirmação do desinteresse.
Talvez uma das intenções do blog seja mudar, também porque isso não é alguma coisa à qual se possa escapar, a mudança. Então se a minha primeira proposta era parir outro de mim, aí está, e aí está estando, ainda não deixei de parir.
Aliás, já que estou nesta espécie de tom editorial, que se anuncie que aquilo que foi identificado como a principal intenção do blog era exatamente existir mais. Neste sentido, agradeço àqueles que me ajudarem divulgando este blog. Obviamente que vocês só farão isso se tiverem gostado dele, então para mim isso seria duplamente gratificante.
O novo título ("O que consigo afirmar?") é contíguo ao antigo; incrível que pareça sou um cara constante. Diria que é mais sintomático, querendo dizer com isso que ele se torna um índice do modo de operação do blog, que é a escrita, e também que é melhor em dois sentidos: primeiro porque pergunto pela minha própria potência, e segundo porque pergunto pela minha alegria. Coisas pelas quais estou efetivamente interessado. Se trata realmente mais de enunciar afirmando (mostrar através de propostas positivas) do que de conceituar (aqui, pelo menos, serei mais artista que filósofo).
Creio que, durante toda minha vida, tenho afirmado sem saber muito aquilo mesmo que afirmo. Meu próprio questionamento é, assim, providencial e oportuno, pois me torna mais responsável com aquilo mesmo que eu afirmo. Afinal, quero que Jesus não se refira a mim quando proponha perdoar aqueles que não sabem o que fazem; é uma condição terrível para um artista não saber aquilo que criou, aquilo que destruiu ou como o fez. De casual já basta o universo.
Que a viagem prossiga.
Um abraço pessoal (sim, esta frase não tem vírgula entre o abraço e o pessoal - mas não se acostume comigo explicando aquilo que digo; me considero alguém sutil e direto, por mais que isso pareça uma contradição, já que a sutileza é algo que aparece pouco; dou esta chance exatamente porque vocês não me conhecem e exatamente para me conhecerem mais).
Não que a intenção não seja boa, nem que a tentativa tenha falhado. Acontece que a própria intenção do blog é flutuante, e eu não saberia elaborar um título ou uma descrição que sintetizasse esta intenção, é mesmo difícil fazer isso ainda apenas considerando somente a intenção momentânea do mesmo.
Então se antes a intenção era não responder à pergunta, me dei conta que o melhor que tinha a fazer era simplesmente calar-me, já que não estava perguntando por nada, efetivamente, e o silêncio é a melhor afirmação do desinteresse.
Talvez uma das intenções do blog seja mudar, também porque isso não é alguma coisa à qual se possa escapar, a mudança. Então se a minha primeira proposta era parir outro de mim, aí está, e aí está estando, ainda não deixei de parir.
Aliás, já que estou nesta espécie de tom editorial, que se anuncie que aquilo que foi identificado como a principal intenção do blog era exatamente existir mais. Neste sentido, agradeço àqueles que me ajudarem divulgando este blog. Obviamente que vocês só farão isso se tiverem gostado dele, então para mim isso seria duplamente gratificante.
O novo título ("O que consigo afirmar?") é contíguo ao antigo; incrível que pareça sou um cara constante. Diria que é mais sintomático, querendo dizer com isso que ele se torna um índice do modo de operação do blog, que é a escrita, e também que é melhor em dois sentidos: primeiro porque pergunto pela minha própria potência, e segundo porque pergunto pela minha alegria. Coisas pelas quais estou efetivamente interessado. Se trata realmente mais de enunciar afirmando (mostrar através de propostas positivas) do que de conceituar (aqui, pelo menos, serei mais artista que filósofo).
Creio que, durante toda minha vida, tenho afirmado sem saber muito aquilo mesmo que afirmo. Meu próprio questionamento é, assim, providencial e oportuno, pois me torna mais responsável com aquilo mesmo que eu afirmo. Afinal, quero que Jesus não se refira a mim quando proponha perdoar aqueles que não sabem o que fazem; é uma condição terrível para um artista não saber aquilo que criou, aquilo que destruiu ou como o fez. De casual já basta o universo.
Que a viagem prossiga.
Um abraço pessoal (sim, esta frase não tem vírgula entre o abraço e o pessoal - mas não se acostume comigo explicando aquilo que digo; me considero alguém sutil e direto, por mais que isso pareça uma contradição, já que a sutileza é algo que aparece pouco; dou esta chance exatamente porque vocês não me conhecem e exatamente para me conhecerem mais).
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