Texto dele: Sobre os "dois lados" da históriaNesses tempos complicados que vivemos, e que exigem atenção e pensamento crítico (será que existiu algum tempo que não fosse assim?), justa e frequentemente somos lembrados dos perigos de uma visão de mundo estreita, raivosa e dogmática. E o aviso mais frequentemente usado para nos lembrar disso é a frase "sempre existem dois lados". Eu detesto esta afirmação. Assim mesmo. Detesto-a por vários motivos. O mais pessoal é o cansaço que me dá de ouvir isso desde que me conheço por gente, ou seja, desde que aprendi a falar e me comunicar por meios verbais com o mundo ao meu redor. Seria bastante mesquinho da minha parte fundamentar meu desgosto com a afirmação acima baseado apenas em um sentimento pessoal, mas tenho argumentos mais racionais e epistemológicos para justificar-me. Acredito que falar nos "dois lados de uma questão" é um jeito líquido e certo de nos induzir a pensar em falsas dicotomias. Este enquadre mental de isso ou aquilo acaba por simplificar e limitar qualquer discussão a apenas duas possibilidades, não necessariamente antagônicas. Do meu tempo de calouro da faculdade, lembro das intermináveis e inúteis discussões "terapia cognitivo-comportamental vs. psicanálise" (também representada numa das paredes do nosso diretório com o dramático nome de "a psicanálise versus o resto do mundo"), ou mais recentemente, "médicos vs. outros profissionais da saúde" (dicotomia esta que o Conselho Federal de Medicina vem lamentavelmente incentivando, ao invés de fazer propostas mais interessantes do que a vitimização da classe que representa). Esta afirmação também é um insulto às nossas capacidades cognitivas, pois dá a entender que nós vemos apenas metade do mundo, como se permanentemente tivéssemos um dos olhos vendados, e sempre enxergássemos ou a direita, ou a esquerda. Acredito ser mais adequado dizer que sempre enxergamos o mundo como uma totalidade, mas que, por causa de nossas histórias pessoais, tendemos a priorizar alguma forma de informação do que outras. Isto organizará nossos processos de tomada de decisão de maneiras bastante distintas, e portanto produzirá efeitos diferentes no mundo. Toda visão de mundo, por ser um produto da mente humana, é criada com base em uma compreensão limitada, e que não consegue apreender todas as informações disponíveis no universo cognoscível (isto é - que podemos de fato conhecer). Ainda assim, isto não quer dizer que as visões de mundo não são completas em si mesmo, por que baseadas em uma compreensão limitadas dos fatos como são, seus efeitos ainda serão globais. Por fim, a teoria dos dois lados da verdade dá a entender que o melhor caminho para resolver qualquer disputa é o meio termo, ou a união das duas partes, e que não há nenhuma outra possibilidade de síntese. Para ficar em uma discussão que domino um pouco melhor, a solução para o debate "TCC vs. psicanálise" não é incentivar terapeutas cognitivos a trabalharem o Édipo de seus pacientes como sendo uma "crença disfuncional" distinta, nem os psicanalistas usarem o diálogo socrático ao invés da associação livre. Cada teoria, além de conter todos os componentes necessários para realizar intervenções, é baseada em fundamentos epistemológicos diferentes, e misturá-los significa confundir o raciocínio clínico por trás da intervenção. Em outras palavras, não vai ser "olhando os dois lados" que vai resolver essa questão. Embora às vezes a síntese é a fusão dos "dois lados", na maioria dos casos é necessário usar uma boa dose de pensamento lateral, e procurar a transcendência da questão em outras bandas, o que significa ir além dos dois pontos de vista à disposição. Acredito que, para além de ficar falando "que toda questão tem dois lados", é necessário pensar nos objetivos que nos guiam. Tenho a impressão que, na maioria das discussões que vejo, a preocupação maior é em estar certo - o objetivo dos debatedores é causar o efeito de mostrar para o mundo que eles sabem mais do que os outros sobre o objeto da discussão, e que é secundário fazer algo de concreto. Acho que não estou dizendo nenhuma novidade com isto. O que eu acredito que o papo de "olhar os dois lados da história" tenta incentivar (e fracassa miseravelmente) é uma postura mais aberta aos fatos do mundo, de que há mais de uma maneira de ver uma situação-problema. Podemos começar a fazer isto abandonando essa mania chata de pensar em dicotomias o tempo todo. Disponível em: http://tempoderebeldia.blogspot.de/2013/09/sobre-os-dois-lados-da-historia.html 2013-09-13
Literatura filosofia humor poesia
Mostrando postagens com marcador insaciedade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador insaciedade. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Samuel Eggers
#VemPraRua
Cai um, vem dez.
Não será o mesmo, fará falta. Mas queremos melhor. Esse é nosso legado.
Qual é o melhor lado da história, Samuel? Isso é o que vamos tentar continuando descobrir.
É certo que é tempo de rebeldia, sem visão estreita, raivosa ou dogmática. Vamos lá, temos muito a mostrar e conquistar.
Old man, I am alive like you ARE
Véio, tou tão vivo quanto tu!
Marcadores:
agressividade,
altruísmo,
cegueira,
contos de fada,
desafio,
economia,
educação,
iluminismo,
impossibilidade,
insaciedade,
intensidade,
morte,
poder,
presente,
psicologia social,
revolução,
tesouro,
tragédia
terça-feira, 27 de julho de 2010
Desejo de poder
O desejo de poder
É o desejo de dizer não.
É o desejo de dizer não.
Marcadores:
"erro",
agressividade,
altruísmo,
clareza,
desaforismo,
educação,
felicidade,
filosofia,
insaciedade,
lei de mercado,
lógica,
paixão,
política
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Filósofos-Artistas
Estão perdidos.

Incidental art by Pirates of the Caribbean: At World's End -
Citation of Barbossa, Hector.

"Aye, we're good and lost now... For sure, you have to be lost to find a place that can't be found..."
Incidental art by Pirates of the Caribbean: At World's End -
Citation of Barbossa, Hector.
sábado, 7 de novembro de 2009
Filósofos amam a verdade
Nada é mais verdadeiro
'Que um amor não-correspondido.
'Que um amor não-correspondido.
Marcadores:
caça,
desaforismo,
engano,
filosofia,
impossibilidade,
infinito,
insaciedade,
loucura,
morte,
premissa,
presa,
psicologia social,
romantismo,
silêncio,
sublimação,
tragédia,
verdade
sábado, 29 de agosto de 2009
Senza te - insensatez
*
Tenho fome.
E te espero.
Apaixono-me por enganos.
Me sinto deprimido, me sinto mal
Porque és a melhor garota que já conheci.
Não consigo ganhar teu amor, sequer qualquer fração -
Oh, minha linda, reação psicótica!
Me sinto solitário noite e dia.
Não consigo teu amor, devo permanecer longe.
Bem, eu preciso de ti, garota, ao meu lado.
Não logro teu amor, não obtenho satisfação;
Oh, menininha, só me sobra a psicótica reação!
---
* - The Count Five - Psychotic Reaction
** - Imagens por Charlie Chaplin - The Gold Rush
Tenho fome.

E te espero.

Apaixono-me por enganos.

Me sinto deprimido, me sinto mal
Porque és a melhor garota que já conheci.

Não consigo ganhar teu amor, sequer qualquer fração -
Oh, minha linda, reação psicótica!

Me sinto solitário noite e dia.

Não consigo teu amor, devo permanecer longe.

Bem, eu preciso de ti, garota, ao meu lado.

Não logro teu amor, não obtenho satisfação;
Oh, menininha, só me sobra a psicótica reação!

---
* - The Count Five - Psychotic Reaction
** - Imagens por Charlie Chaplin - The Gold Rush
sexta-feira, 13 de julho de 2007
Para te mostrar o que é força
Sóbrias sobreposições ainda não te embriagaram o suficiente para te fazer embarcar no maior detalhe do menor escrúpulo. A afirmação do teu ouvido fechará os olhos muito depois das reverbações do meu sussuro. Digo teu nome, você morde o ciúme, derrete porque há calor, e não há realidade que pare de engendrar um delírio esvoaçante. Pede a materialidade, porque está dopada de energia. Entre os dentes, escorre o sangue, vejo quando ergues o rosto, olhos insanos, risada saciada. Não me bastam tuas garras para acabar com o meu prazer, torne o mundo úmido, tépido, derrame a maciez. Vai, me suga como se eu pudesse explodir.
Não importa quão branca, quão loira, quanto azul você derrama, volto, quero mais, como se você fosse mais escura que o breu à sombra, e obrasse um cadáver de grandes órbitas ávidas a ver a vida. E não importa quão rubra, quão verde, quanta raiva despeje de ti, somos muito grandes para poder sucumbir. Esfrega, aperta, faze o que preferes, suja, desafia o meu amor de labirinto, maior que qualquer fio.
A vontade é um turbilhão que derruba e desvia qualquer parede. Não preciso de portas com a furiosa delicadeza, tão exata quanto o teu desejo.
Não importa quão branca, quão loira, quanto azul você derrama, volto, quero mais, como se você fosse mais escura que o breu à sombra, e obrasse um cadáver de grandes órbitas ávidas a ver a vida. E não importa quão rubra, quão verde, quanta raiva despeje de ti, somos muito grandes para poder sucumbir. Esfrega, aperta, faze o que preferes, suja, desafia o meu amor de labirinto, maior que qualquer fio.
A vontade é um turbilhão que derruba e desvia qualquer parede. Não preciso de portas com a furiosa delicadeza, tão exata quanto o teu desejo.
Assinar:
Postagens (Atom)
