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sábado, 28 de julho de 2007

"teu corpo existe porque o meu Sempre existiu cantando. Meu corpo, Dionísio, É que move o grande corpo teu" Hilda Hist

Abandonamo-nos. Mas não nosso amor, que nos persegue, assombra nossos sonhos, puxa por um fio à superfície. O mais alegre é o desvairado, nós pisamos a usada terra com muito cuidado. Será bom te abraçar de novo, será bom te encontrar pela primeira vez. Saudável desconhecido, por que embriagas meus olhos? De lágrimas numa face sem vincos. Sim, então serei mais bonito que a loucura, te seduzirei como o mar, no meu embalo, com minha imensidão em olhos fitantes, cheiro impregnado de maresia, fantasia de tesouros perdidos, ladrões sem lar, aventureiros naufragados.
O afeto é mais que o ser. Qualquer coisa transborda de sentido. Crueldade gentil da natureza fazer vibrar o mundo dentro de nós e ao nosso limite, com todos os seus tons, cores, sabores, texturas, odores. Quem entende a vida não recusa o seu chamado, abandona a si mesmo para transbordar seu sonho. A dor não arde mais que o sol, que vai à espantosa velocidade, traz em si todas as cores, é mais quente que qualquer inferno - que ironia, tanta vida, a doçura, nascer do fogo, que a tudo consome, inconsolável fome, só menor que a dos buracos negros, dos teus olhos, da tua boca, do teu vício, do teu cu, da tua cona. Luz, luz, luz, onde foste sem mim? Te convidei por toda a escuridão. Se todo o universo se contradiz nos seus átimos, pergunta ao nosso pensamento a delicadeza de entender que o pior enseja o melhor. Devore-o. Se te despires de todo o teu medo, eu prometo, a primeira e última promessa de minha vida, te acompanhar por inteiro, qualquer inferno, que será pouco, o medo dá a dor um aspecto grotesco que ela não apresenta - a dor é potência, expressão da potência, grita, grita, o que acontece contigo é maior do que tu, sabemos, tenha a dignidade de abraçar teu destino. Delírio, delírio, onde foste sem mim? Êxtase, êxtase, como subiste só se arrastando passo largo pelo chão? - Eu adoro quando tua perplexidade me pergunta, vítima de uma lógica derrotada.

2 comentários:

Anônimo disse...

bom comeco

Guilherme Franco disse...

Muito obrigado -
afinal, existem começos, não é mesmo?

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