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sábado, 29 de novembro de 2008

De tanto te amar,
Logo mais não haverá mais
Nada a matar

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"Desde que a experiência me ensinou ser vão e fútil tudo o que costuma acontecer na vida cotidiana, e tendo eu visto que todas as coisas de que me receava ou que temia não continham em si nada de bom nem de mau senão enquanto o ânimo se deixava abalar por elas, resolvi, enfim, indagar se existia algo que fosse o bem verdadeiro e capaz de comunicar-se, e pelo qual unicamente, rejeitado tudo o mais, o ânimo fosse afetado; mais ainda, se existia algo que, achado e adquirido, me desse para sempre o gozo de uma alegria contínua e suprema. Com efeito, as coisas que ocorrem mais na vida e são tidas pelos homens como o supremo bem se resume, ao que se pode depreender de suas obras, nestas três: as riquezas, as honras e a concupiscência. [...] Pela honra, porém, muito mais ainda fica distraída a mente, pois sempre se supõe ser um bem por si e como que o fim último, ao qual tudo se dirige. [...] Por último, a honra representa um grande impedimento pelo fato de precisarmos, para consegui-la, adaptar a nossa vida à opinião dos outros, a saber, fugindo do que os homens em geral fogem e buscando o que vulgarmente procuram."***


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* Salvador (Dalí): Atmosferic skull sodomizing a grand piano.
** Norah (Jones): What Am I To You?
*** Benedictus (Spinoza): Tractatus de intellectus emendatione.

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