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sábado, 1 de novembro de 2014

O findo debate eleitoral e o dilema político atual



Passadas as eleições, mas não sua ressaca, difícil é escolher a notícia da semana, tarefa da qual não devemos nos furtar. O uso que fizemos do período eleitoral, centrado largamente na falsa dicotomia de que o projeto de distribuição de renda era encarnado pela candidata Dilma e o de crescimento econômico o era pelo candidato Aécio falhou em nos fornecer um debate político claro e inequívoco. Isso porque deveria estar claro a todos que tanto a distribuição de renda já existente quanto o real aumento de renda de toda a população são indispensáveis. E o são por dois simples motivos: 1. Porque parte da população vive em condições deploráveis e que necessitam de uma intervenção imediata, grande e inteligente (que deve ir muito além do Bolsa-Família). 2. Porque o fracasso em aumentar a renda dos mais ricos termina por minar ou limitar o saneamento das condições supracitadas (a falha em angariar renda redunda em falta de renda a ser distribuída – é dizer: nem as condições de vida de uns nem a de outros aprimora-se).

É verdade que o aumento de renda dos mais ricos pode implicar em aumento da desigualdade social (ou mais precisamente, da disparidade econômica). E é por este motivo que torna-se necessário uma intervenção que seja, ao mesmo tempo, a mais rapidamente aplícavel, a mais ampla e aquela pela qual as pessoas com menos possibilidades consigam organizar-se em modos autossustentáveis.

Logo, tanto o primeiro projeto depende do segundo, quanto o segundo não deveria ser implementado sem o primeiro. E, evidentemente, ambos os projetos devem ser implementados pelo governo eleito, independente a qual partido pertença. Passado este ponto, o da falsa dicotomia, restaria-nos efetivamente discutir ambos os projetos, isto é, (1) qual é melhor método para fazer com aqueles que possuem menos recursos consigam organizar-se de modo autossutentável, e (2) qual é o melhor método para que a economia brasileira cresça.

Verdade é que nenhuma proposta pungente quanto ao projeto 1 (distribuição de renda) ganhou fôlego nos últimos anos, de modo que formou-se um certo consenso de que o Bolsa-Família e o Pronatec são de fato os melhores métodos dos quais se dispõe. Apresentar propostas de aprimoramento a estes programas e propostas alternativas a eles demandam maior tempo de exposição e argumentação. Por outro lado, o melhor método quanto ao projeto 2 (crescimento econômico) tem se mostrado muito claro em boa parte da mídia, há pelo menos dois anos, senão mais. Creio que devemos compilar as perspectivas críticas que surgiram nestes últimos anos, tanto para que o debate político prossiga, quanto para esclarecer ideias equivocadas, preconceituosas e completamente falsas que o debate eleitoral mal-intencionado (ou mal-informado) ensejou. Ideias estas que não devem se perpetuar para todos nós que sempre sonhamos com um Brasil cada vez melhor.

Bom, mas e a tal notícia da semana? Fico com esta, do economista Mansueto Facundo de Almeida Jr: http://mansueto.wordpress.com/2014/10/28/a-dificuldade-do-ajuste-fiscal/ - aliás, valeria a pena ler seu blog de cabo a rabo.

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