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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Exercício de lógica política nº 1 - O “problema” do passe livre



Posições políticas em geral se pautam por em que grupo deve-se baixar os custos de nossos modos de vida. Com o transporte e a proposta de passe livre não é diferente. À primeira vista, parece uma ótima ideia. Afinal, não pagar nada para andar de ônibus é melhor do que pagar R$3,50, não é mesmo? Esta é a perspectiva do usuário.

O que tenho advogado como perspectiva compreensiva envolve fazer um exercício para superar a perspectiva individual (neste caso, a do usuário) e também a perspectiva de classe ou grupo (que determina grupos por suas atribuições ou atributos – o grupos dos usuários, o grupo do governo, o grupo dos trabalhadores – motoristas, cobradores -, o grupo do sindicato, o grupo dos capitalistas – os donos dos ônibus, os concessionários do serviço - , o grupo dos contribuintes, etc.). A perspectiva grupal reúne indivíduos em coletivos, porém opera na mesma lógica individual. O usuário se insere no grupo dos usuários que defende a perspectiva dos usuários. O exercício que proponho pretende que se supere o perspectivismo.

Isto implica pensar o sistema como um todo. O sistema como um todo para todos os envolvidos, e não meramente em função de uma única perspectiva. Quando o usuário propõe o passe livre (para si), é evidente que, em termos de sistema ou totalidade, ele está meramente passando o custo adiante. Porque as propostas de passe livre não garantem que ônibus serão produzidos gratuitamente, que serão mantidos gratuitamente, que o combustível não terá custo algum e que os motoristas e cobradores quererão trabalhar como voluntários não-remunerados. A proposta geral do passe livre tem que se pautar por um financiamento público, isto é, o governo arcar com as despesas.

Sabemos que o governo é uma representação de toda a sociedade. Se o governo pagasse a totalidade da passagem, quem de fato estaria pagando por ela? Todos os contribuintes. Então saímos de uma perspectiva onde é o usuário que paga a passagem para uma onde é o contribuinte que paga a passagem. Isso não serve ao contribuinte. Por quê? Porque o contribuinte que não utiliza o transporte público teria muito pouco interesse pessoal em financiar um serviço que não lhe serve e do qual não se beneficia, ou se beneficia muito pouco.

Logo temos um problema tipicamente político: pessoas de interesses diferentes advogam seus pontos de vista particulares e entram numa arena onde debate e poder se mesclam para definir qual perspectiva será vencedora. O grupo dos contribuintes advogaria o contrário: repassar a totalidade do custo de volta ao usuário. Temos aqui claro uma disputa de interesses inconciliável. O que é benéfico e interessa a um grupo é exatamente o contrário ao que é benéfico e interessa a outro grupo. Como resolver o problema? O que eu quero propor com perspectiva compreensiva é um jeito de englobar todas as perspectivas envolvidas, sem querer simplesmente passar o custo de um grupo para outro. Para isso é necessário arranjar sistemas de organização onde o custo possa ser alcançado através de produtividade (entregar um melhor resultado com menor consumo de recursos), pois terceirizar o custo não o altera, apenas transfere sua responsabilidade. Antes no do outro que no meu, é claro, mas quem sabe não haveria um jeito que pudesse ser adequado a todos? Por mais que impossível seja, mister é tentá-lo.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Our love and our liberty



"But you will never be completely free from risk if you're free”1






2





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1 Quote by: Snowden, Edward (2015). Interview with John Oliver.

2 Music by: Hardin, Tim (1969). Simple song of freedom. (1996 - Simple Songs of Freedom: The Tim Hardin Collection. Legacy/Sony. Track 1.)



quinta-feira, 26 de março de 2015

Há um programa melhor que o Bolsa-Família



O Bolsa Família foi protagonista da última eleição para presidente. Os dois partidos que foram ao segundo turno foram disputando a paternidade do programa, no que cada um contribuiu com um aspecto. Infrutífero foi discutir de quem é a culpa ou mérito, para além dos interesses eleitoreiros. Mais cabe perguntar: como podemos ter mais ideias que erradiquem a miséria? Como podemos aprimorar estas ideias?

A discussão eleitoral foi longa. Basicamente se discutiu se o benefício era de fato benéfico ou não no sentido de tirar as famílias da zona da miséria. Os desfavoráveis ao programa argumentam que ‘dar o peixe’ cria dependência, e que faríamos melhor se ‘ensinássemos a pescar’ ao invés de incentivar o assistencialismo. Também houve críticas quanto aos números que refletem o sucesso do programa. Enquanto o governo alardeava que os benefícios foram extendidos a mais famílias, houve quem questionasse a eficácia do programa. Estes sugeriam que o sucesso do mesmo deveria ser avaliado não pelo crescente número de famílias que passa a ser beneficiado pelo programa, mas, ao contrário, pelo número de famílias que deixa de ser beneficiado pelo programa por ter adquirido renda mensal acima do teto.

Discussões pontuais quanto ao programa à parte, ele goza de boa aceitação popular. Mas escrevo o texto para colocar outra questão também. Será que não conseguimos aprimorar o Bolsa-Família, levando em consideração as críticas existentes? Aparentemente, um programa melhor já existe desde 1991. Chama-se Saúde Criança, de iniciativa da pedagoga Vera Cordeiro. Aqui está ele: http://www.saudecrianca.org.br/nosso-trabalho/resultados-de-impacto/

Se tudo o que ali se veicula de fato é alcançado, há um modelo já testado e implementado (por 23 anos), de intervenção limitada temporalmente (até 3 anos), onde famílias têm um retorno estrutural (saúde, habitação, financeiro e educação) persistente, quer dizer, que perdura mesmo após a intervenção. Está aí algo a ser analisado e estudado. O que está sendo apresentado leva a crer que seria possível ao governo implementar um programa social mais eficiente e sustentável, e, portanto, mais benéfico. Se o exemplo não falta, o que falta então? Iniciativa!

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sábado, 14 de março de 2015

Brazil, 2013 e o eterno retorno da cultura ou A Imunização Racional



Há que se escolher muito bem uma ideologia, pois as ideologias, seja aqueles que recebemos criticamente ou acriticamente, tendem a se repetir ad aeternum.

Por isso, para não tornar o inferno infinito, nossas convicções deveriam ser de uma fragilidade absoluta: sempre confrontadas e desmentidas com o que quer que consigamos, com ceticismo, erigir como dado empírico. É a época do cientista vencer o filósofo.







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1 Imagem por: Carvalho, Rodrigo (2014). "Cidadãos entram em atrito em nome de suas próprias ideologias". Retirada do vídeo: "Morador do Leblon hostiliza manifestante durante 'rolezinho'". Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=k8iy3eehwa8

2 Música por: Maia, Tim (1975). Bom senso. Seroma: Tim Maia Racional Vol. I. Faixa 3.



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Enquanto caminhamos em meio à morte





A pescadora de intuições me disse



Uma vez que você diz

Algo a alguém

Aquilo se torna deles.



E eu quero dizer

Tudo de bom

Para todo o mundo,

Sempre.1



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Fotografia por Fernanda Gervasoni.

1 Variação do tema de: Mathis, Lora (2015):



sábado, 14 de fevereiro de 2015

Sobre santos e leis brasileiras (ou Forastieri e o pior de 2014)

Ao fim do ano, o jornalista André Forastieri fez um artigo no qual listou 10 dos seus textos mais lidos em 2014. Os três primeiros deles me deram algo a respeito do que pensar. A retrospectiva de Forastieri inova por isentar-se de comentar o melhor e o pior do ano. Não há posicionamento crítico ou estético que desafie o critério que se torna o índice da lista, o impacto social. Com isso, a autoanálise feita aborda com orgulho positividades, porém ignora elementos que poderiam ter sido melhor trabalhados.

Comecemos pelo caso da ex-esportista Laís Souza, campeã da audiência de Forastieri. A Laís o jornalista dedicou uma campanha de solidariedade. “Alguém deve pagar”, escreveu ele, “e não é eu ou você”. Há um mês, dia 13/01/2015, o Palácio do Planalto sanciona a lei Lei 13.087/15, onde Laís ganha pensão vitalícia do INSS (e que obriga Forastieri, eu e você a contribuir), em razão de seu acidente, ocorrido quando Laís não era membro da delegação oficial do COB – Comitê Olímpico Brasileiro. A nova lei é sintomática, não apenas do estilo PT-PSDB de gerenciar (lei proposta por Gabrilli-PSDB, relatada por Suplicy-PT, lei sancionada pela Dilma-PT), mas de toda a cultura brasileira, herança celebrada de uma pretendida miscigenação portuguesa, africana e indígena, entre outras menos numerosas.

Leis devem ser para o povo, devem gerir o povo, e não ser nominais, “personalíssimas”. Me pergunto, ignorante, se Marcelo Yuka recebeu o agrado de semelhante lei. Na análise das diferenças, Yuka sofreu seu infortúnio ao tentar impedir um assalto. Fazia algo bem diferente de sentir adrenalina ao esquiar na neve, na aventura de dedicar-se a um novo esporte. Na ocasião, Forastieri eximiu Laís de responsabilidade. Preferiu ressaltar a responsabilidade “dos defensores do espírito esportivo”, dos marketings de tênis e energético, do COB, de seus patrocinadores e dos políticos brasileiros.

A lógica apresentada contrasta completamente com aquela, do mesmo autor, que julga a lesão de Neymar. Evidentemente, há razões para isso. Neymar joga um esporte popular, que movimenta milhões de reais; o que não é o caso da ginástica ou do esqui, no Brasil. A lesão de Laís é definitiva, a de Neymar, não. Mesmo assim, é de estranhar o tratamento diametralmente diferenciado. Neymar encarna a violência de seu técnico Scolari e de sua seleção, violência esta que foi simplesmente retribuída pelo time adversário, inclusive em menor escala. Neymar conhece os perigos de sua profissão. Por isso “merece estar fora da copa”. Já Laís... Laís não foi informada. Alguém lhe “vendeu as maravilhas do esporte”, alguém “estimulou seu sonho olímpico”.

A seguir a lógica de Forastieri: “Se tenho dó do cara? Como de qualquer garoto em um hospital agora, nem mais, nem menos”. Portanto não é dizer que Laís não mereça a compensação pelo seu infortúnio, apenas que merece tanto quanto qualquer outra pessoa com necessidades especiais neste país. Isso também é representativo de como escolhemos nossos heróis, e de como elegemos socialmente o que compomos como ‘vítima’. A reparação parcial e oportuna que ora vemos é a mea culpa de nossas dificuldades administrativas: como denunciou Forastieri, o contrato de um seguro que não cobria a totalidade dos riscos inerentes à participação dos atletas na Olimpíada. No entanto, tantos outros nossos problemas, coletivos e não meramente individuais, seguem sem nosso devido mea culpa, com a morosidade e burocracia que também é representativa de nossa cultura. O próprio projeto de lei de Gabrilli que advoga uma segurança a todos atletas olímpicos e paralímpicos segue no trâmite. Seria mais compreensível que o caso de Laís fosse resolvido no judiciário, não via legislativo e executivo. Mas sabe-se que o nosso sistema judiciário sofre e faz sofrer. E a lei nominal, “personalíssima”, não é novidade.

Ao utilizar exclusivamente o critério da audiência, Forastieri, mesmo recusando-se a isso, pareceu-nos induzir a coincidir qualidade com popularidade. É perceptível que Forastieri é um jornalista que procura ressaltar o que não está no holofote, muitas vezes às custas, em contraposição, ao que está (Laís merecedora de solidariedade contra Neymar indigno do mesmo sentimento é o perfeito exemplo). Como entender este revisionismo centrado apenas no sucesso de audiência? Um lapso momentâneo de personalidade? Desejo de celebração, inspirado pelas comemorações de final de ano? Quem sabe... Para nós o que importa é ressaltar o que identificamos como problema. E o problema não é tanto considerar o impacto social dos textos, o que é completamente pertinente: a questão é reificar este critério como o único.

Forastieri disse ter escrito ao longo do ano com o fígado. Perguntamos: do que este fígado se alimentou? Obsessão pelo dinheiro e nojo pela fama que é considerada injusta foram os motores dos populares artigos do ano. Mais um prato cheio para as análises culturais de quem gosta de análises culturais.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Dr. Seuss à solta, ou os antropófagos da floresta



Ontem adormecemos eu e Fernanda vendo três episódios do Dr. Seuss.



Eles são bem característicos e peculiares, não só pelo desenho, intenção e forma, quanto por seu caráter moral. ‘Green eggs and Ham’ é sobre experimentar, verificar isso que o mundo constantemente nos oferece, sem um uma rigidez mental previamente estabelecida. ‘Zax’ não fica tão longe, e também retrata a teimosia, a rigidez mental (e física) de seres que estão centrados numa meta ou num modo de ser. Por estarem obcecados naquilo e não verem nenhuma possibilidade de mudança acabam ficando presos, trancados em meio a um mundo que evolui, um mundo que segue, sem se preocupar tanto com o que quer que aquelas duas pequenas existências quisessem. Já não há caminho livre a seguir, pois o restante dos seres tomou aquele lugar e fez dele um caminho próprio, que servisse a seus interesses ou ideais. E é esta fixidez, esta impossibilidade de se reinventar, de reinventar um objetivo, meta, ideal ou destino, esta impossibilidade imaginada, e apenas imaginada, de dar um passo ao lado, mudar, levemente que seja, de rota, é que impede e atravanca todo um modo de ser, e ainda o atravanca num modo de ser que não realiza o que intenta, e que só pode ser triste ou raivoso. Há também o aspecto de não arredar o pé dali por alguém, por não querer ver alguém vencer, por um entender que é necessário não se submeter a uma situação, ainda que ele seja, a bem da verdade, insignificante.

São desenhos importantes e significativos em sua mensagem. Mas minha ideia mais original a respeito deles é relacionada aos ‘Sneetches’. Os Sneetches fazem categorias e hierarquias através de suas categorias, mantendo um ranking ideal e esnobe de seres. Os que possuem estrela na barriga consideram-se superiores aos que não têm. Aos que não têm nunca ocorre de se acharem superiores exatamente por não terem... o que é estranho, curioso. Sabemos que povos são etnocêntricos tanto quanto pessoas são egocêntricas. Um indígena vai querer ser indígena, um europeu quererá continuar sendo um europeu, em geral. Este é o movimento mais comum ou ‘natural’, se ainda cabe o uso desta palavra. O indígena vê no europeu um destruidor, alguém sem noção alguma do que seja mais valioso: a natureza, a vida. O europeu acha o indígena um estúpido, um atrasado, um primitivo, alguém desprovido de racionalidade ou até mesmo de alma. Muito tarde lhe ocorre que talvez seja alguém simplesmente provido de uma racionalidade diferente, uma ética diferente, um modo de avaliar diferente.

Mas este é o exemplo de duas sociedades que não se misturam. Elas seguem, cada uma, seu próprio rumo. O europeu destruirá a natureza, em larga escala, e não se importará com a vida daqueles que estarão no caminho do seu ideal de lucro e status social. O indígena seguirá com suas avaliações ainda que isso implique ser esmagado, expulso de seu habitat, do convívio com lugares e seres que lhe são sagrados, até que seja efetivamente dizimado, pois o modo como luta por seus ideais é completamente distinto do europeu, muito menos inescrupuloso no seu maior poder de fogo e no abuso deste poder. Isto é histórico, não cometo nenhuma injustiça.

Há o caso das sociedades que se misturam. E muitas vezes é o caso do ameríndio que tenha, mesmo após contato com o europeu e sua ideologia, sobrevivido. A ideologia contamina, transforma a sociedade, a cultura, as avaliações e os modos de avaliar. Tenho falado do europeu, mas hoje muitos de nós, americanos, são o que o europeu era. Estamos falando da ideologia europeia, é preciso que fique claro, não do europeu simplesmente porque ele nasceu num lugar chamado Europa. Aqui não importa quem é europeu, indígena ou africano. Ou não deveria importar.

Viveiros de Castro é bem claro em sua proposta: o brasileiro deveria parar de querer ser europeu, e assumir aquilo que é. Aquilo que é não está definido, mas certamente não é o europeu. E se queremos que o mundo sobreviva, todos os povos, inclusive o europeu, necessitam deixar de ser europeus. Deixar de fazer esta avaliação, este modo de avaliar que é historicamente típico do europeu.

Mas eu falava do Dr. Seuss, dos Sneetches. No desenho, chega o capitalista e joga um jogo desgraçado com os Sneetches. Vende estrela para os que não tem, vende um serviço que retira as estrelas dos que têm. Na ânsia de querer se diferenciar, não só de se diferenciar, pois eles já eram diferentes - na ânsia de querer ser superior a outros Sneetches, os Sneetches entram num círculo vicioso onde perdem toda sua identidade e reserva de valor que tinham adquirido. Quando não há mais nada, o capitalista vai embora, certamente em busca de novos povos dispostos a acreditar em suas promessas e seu modo de avaliar, dispostos a fazer funcionar a sua fábrica de ilusões que alimenta a nossa eventual e irrealizável vontade de ser superior. O capitalista é aquele da ideologia europeia, é claro.

O que acontece na realidade é bem diferente: nosso capitalista não monta dois serviços distintos, um de colocar e outro de retirar estrelas. Nunca se trata de ter uma estrela só. O jogo dele é único: ele apenas coloca estrelas. Para se diferenciar uns dos outros de modo a se considerarem superiores uns aos outros, os Sneetches adquirem cada vez mais estrelas. Estrelas para a barriga, para as nádegas. Estrelas nos bíceps e no nariz. Estrelas para pendurar na parede. Estrelas para pendurar no pescoço. Estrelas com rodas e motores para desfilar na praia. Não há limites para as estrelas. E todos querem delas um pouco mais. Para serem mais no no jogo de ser mais dos Sneetches. E o capitalista nunca vai embora, pois há sempre um Sneetch querendo mais estrelas para ser mais que os outros Sneetches. Há um que compra uma montanha de estrelas só para sentar nelas e olhar os outros lá de cima. O mundo aqui de cima é muito mais bonito, diz aquele Sneetch. Aquele Sneetch, receio gravemente, sou eu quando acredito na fábrica de ilusões da ideologia europeia.

Sempre que me perguntam como é a Europa, posso ver nos olhos alheios um brilho estranho de tão especial. Eles sorriem algo exultantes quando respondo, do modo mais simplório e mentiroso possível, uma pergunta impossível de responder. Eu não sei porque até hoje eu disse exatamente o que eles queriam ouvir - espírito de galhofa, talvez? A partir de hoje, não direi mais. Era tão estranho quando eu dizia “é melhor”, pois eu conseguia ver naqueles olhares um conforto satisfeito... Não deveria ser um desespero - por elogiar precisamente o que não tinham, o que não eram? E percebo que o que alimentava neles com minha resposta mentirosa, tão mentirosa como a fábrica de ilusões, era uma esperança maldita. Uma esperança religiosa de que há um mundo melhor e de que ele seja de alguma forma alcançável, bastando replicar o modelo. A Europa não é melhor. É um lugar velho e decadente. E todos aqueles que valorizarem esta ideologia europeia se tornarão também velhos e decadentes.

Isso não quer dizer que somos melhores. Que devemos ouvir a voz esquecida do etnocentrismo. Devemos continuar mudando, recusar-se a ser um ‘Zax’. Mas significa que devemos estar atentos a um modelo, um modelo que não está pronto e provavelmente nunca vai estar. De todo o modo, definitivamente precisa ser um modelo onde não destruímos o mundo; nem o próximo, nem o distante. Um modelo onde é possível conviver com outros modos de ser diferentes dos nossos, desde que eles também não sejam violentos, explorativos ou destrutivos. Um modelo onde vida e convivência pacífica e respeitosa sejam os valores maiores. Este é nosso desafio agora. E deve ser feito em larga escala.

sábado, 27 de dezembro de 2014

sábado, 20 de dezembro de 2014

O que o poder público contrata o poder privado para fazer com o que eram os nossos Belos Montes

Uma aula...
De direito, licitação, parcerias público-privadas, ecologia, antropologia, jornalismo, efeitos motivadores do capitalismo, de ideais de vida e de trabalho


Ou melhor:
VÁRIAS AULAS,
De Brasil, de corrupção, de burrice, de ganância...
E não, não dá para resumir:
http://brasil.elpais.com/brasil/2014/12/01/opinion/1417437633_930086.html

sábado, 13 de dezembro de 2014

Desgoverno



Governo Federal descumpre a lei e altera a lei para não ser incriminado (em crime de responsabilidade fiscal). Quarto poder (o povo e a opinião pública) assiste impassível, acreditando que só existem três poderes: http://www.revistaamalgama.com.br/11/2014/a-lei-ora-a-lei/

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Explicando renda per capita e políticas de distribuição (ou sobre garotas suecas)



“Bem, amigos, este mês, com o esforço do todos, conseguimos juntar $10. Agora chegou a hora da distribuição. Como somos dez pessoas, cada um recebe $1. Eu sei que é pouco. Também olho para os vizinhos além-mar e penso que poderíamos melhorar. Lá o mesmo número de pessoas consegue juntar $50. E é por isso que cada pessoa lá ganha $5. Eu não sei como eles fazem, mas fato é que não fazemos o mesmo. Temos que descobrir o que fazer.”

Existem muitos problemas sociais, mas o segredo da riqueza, das condições materiais não está intrinsecamente em políticas distributivas, que são necessárias, mas dependem inelutavelmente da produtividade. Isso é fundamental entendermos. Fala-se de PIB porque PIB é um indicador econômico, é um indicador de riqueza. Sem dúvida o IDH é mais importante do que o PIB, só que alcançar um IDH mais alto depende de alcançarmos melhores condições materiais também. É por isso que se fala sobre PIB, porque o desenvolvimento de nosso IDH está parcialmente atrelado ao desenvolvimento de nosso PIB.

É verdade que o debate centrado nas políticas distributivas é pernicioso. Temos que debater projetos sobre a educação. É isso que está faltando. Falta-nos entender que o debate não é uma questão de ideologia, mas que se insere no campo factual e está sujeito às interpretações científicas sobre o tema, muito mais rigorosas. A economia e a educação dispõe de um conjunto de técnicas que deve ser levado a sério.

Nota: a metáfora que abre o texto corresponde a nós = Brasil, vizinhos = Suécia, e a proporção de renda é real: os suecos ganham cinco vezes mais que os brasileiros (renda por capita, nominal, dados do FMI, 2013). A população real, no entanto, difere: o Brasil é cerca de 20 vezes a população da Suécia.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

"A solução para o nosso povo eu vou dar..."1



Ricardo Amorim avisou... semana passada? Não, em 2011. Ele avisou que a vida ia piorar para quem tinha condições? Não, ele avisou que ia piorar para quem tinha menos condições. Mas, repete aí, Amorim, qual é o remédio para segurar a inflação? O que é que tem que fazer para frear o preço do tomate, da energia elétrica e tudo o mais?

Ricardo Amorim: “No caso, o remédio é a elevação da taxa de juros, que, além de frear a atividade econômica, também funciona como um mecanismo concentrador de renda. Enquanto os mais pobres, normalmente, tem dívidas, cujo financiamento fica mais caro com a alta dos juros; os mais ricos tem aplicações financeiras, cuja rentabilidade sobe junto com os juros.”

E o que deveríamos fazer?

Amorim: “Para reacelerar o processo de redistribuição de renda no Brasil, [...] o governo precisaria, apenas, de mais duas medidas. Primeiro, aumentar investimentos em educação básica. [...] Além disso, o governo deveria reduzir seus gastos. Assim, diminuiria sua necessidade de financiamento, permitindo que os juros caíssem. Permitiria também a redução de impostos, que, no Brasil, penalizam os mais pobres com uma concentração de impostos sobre consumo.”

Texto completo: http://ricamconsultoria.com.br/news/artigos/aposentando-a-maquina-concentradora-de-renda-062011

1 Título por Raul Seixas: Aluga-se

domingo, 2 de novembro de 2014

Nossa amiga, a disparidade econômica



No presente momento, o Congresso Nacional discute o aumento do seu próprio subsídio, via discussão do orçamento do Poder Judiciário. O solicitado pelo Judiciário é R$ 35,9 mil, mais de 20% acima dos atuais R$ 29,4 mil. O salário atual, R$29,4 mil, reprenta mais do que 40 vezes o que o salário mínimo. Normalmente o sálario do trabalhador médio tem sido sempre reajustado em correspondência à inflação oficial, que sequer mede a inflação real. Porque os mais altos salários públicos do país não deveriam seguir padrão semelhante? Todos aqueles que são favoráveis à diminuição da desigualdade de renda deveriam, por coerência lógica, ser favoráveis à tal proposta.

Ademais, qual é a moralidade de um grupo de pessoas que mede seu próprio desempenho? Qual é a moralidade de um grupo que decide sua própria remuneração? Devem os três poderes estarem sujeitos aos desejos do povo. Por que deveriam eles estar sujeitos à funcionamento diferente daquele aplicado ao restante da população? É de fato o que queremos, que um salário no Brasil consiga ser quase 50 vezes o valor do salário mínimo?

Por que não criamos um projeto de lei ou encabeçamos um referendo popular onde definimos que os reajustes do teto destas classes profissionais (as dos três poderes) sejam indexados a um critério objetivo, ao invés de ser discutido discricionariamente pelas próprias partes interessadas? Por que não, por exemplo, a um desempenho econômico condizente com o país? Por que não indexar os maximos subsídios à flutuação anual do PIB ou da inflação? Especialmente agora, onde o momento de um ajuste fiscal se aproxima.

É minha sugestão.

sábado, 1 de novembro de 2014

O findo debate eleitoral e o dilema político atual



Passadas as eleições, mas não sua ressaca, difícil é escolher a notícia da semana, tarefa da qual não devemos nos furtar. O uso que fizemos do período eleitoral, centrado largamente na falsa dicotomia de que o projeto de distribuição de renda era encarnado pela candidata Dilma e o de crescimento econômico o era pelo candidato Aécio falhou em nos fornecer um debate político claro e inequívoco. Isso porque deveria estar claro a todos que tanto a distribuição de renda já existente quanto o real aumento de renda de toda a população são indispensáveis. E o são por dois simples motivos: 1. Porque parte da população vive em condições deploráveis e que necessitam de uma intervenção imediata, grande e inteligente (que deve ir muito além do Bolsa-Família). 2. Porque o fracasso em aumentar a renda dos mais ricos termina por minar ou limitar o saneamento das condições supracitadas (a falha em angariar renda redunda em falta de renda a ser distribuída – é dizer: nem as condições de vida de uns nem a de outros aprimora-se).

É verdade que o aumento de renda dos mais ricos pode implicar em aumento da desigualdade social (ou mais precisamente, da disparidade econômica). E é por este motivo que torna-se necessário uma intervenção que seja, ao mesmo tempo, a mais rapidamente aplícavel, a mais ampla e aquela pela qual as pessoas com menos possibilidades consigam organizar-se em modos autossustentáveis.

Logo, tanto o primeiro projeto depende do segundo, quanto o segundo não deveria ser implementado sem o primeiro. E, evidentemente, ambos os projetos devem ser implementados pelo governo eleito, independente a qual partido pertença. Passado este ponto, o da falsa dicotomia, restaria-nos efetivamente discutir ambos os projetos, isto é, (1) qual é melhor método para fazer com aqueles que possuem menos recursos consigam organizar-se de modo autossutentável, e (2) qual é o melhor método para que a economia brasileira cresça.

Verdade é que nenhuma proposta pungente quanto ao projeto 1 (distribuição de renda) ganhou fôlego nos últimos anos, de modo que formou-se um certo consenso de que o Bolsa-Família e o Pronatec são de fato os melhores métodos dos quais se dispõe. Apresentar propostas de aprimoramento a estes programas e propostas alternativas a eles demandam maior tempo de exposição e argumentação. Por outro lado, o melhor método quanto ao projeto 2 (crescimento econômico) tem se mostrado muito claro em boa parte da mídia, há pelo menos dois anos, senão mais. Creio que devemos compilar as perspectivas críticas que surgiram nestes últimos anos, tanto para que o debate político prossiga, quanto para esclarecer ideias equivocadas, preconceituosas e completamente falsas que o debate eleitoral mal-intencionado (ou mal-informado) ensejou. Ideias estas que não devem se perpetuar para todos nós que sempre sonhamos com um Brasil cada vez melhor.

Bom, mas e a tal notícia da semana? Fico com esta, do economista Mansueto Facundo de Almeida Jr: http://mansueto.wordpress.com/2014/10/28/a-dificuldade-do-ajuste-fiscal/ - aliás, valeria a pena ler seu blog de cabo a rabo.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Queridíssima Cinderela


Estou completamente certo de que
o inferno é apenas uma vitrine do céu.


Eu só tenho um vestido de vidro para você. Devemos prová-lo?



Não sou o único,
Obcecado com o sol,
Receoso do que encontro,
Quando olho para dentro.1


Sois ao mesmo tempo
Salvação e perdição,
O mais que quero,
O mais que suporto ter


Só os filósofos a saúde escolhem -
Empresários, artistas, não.
Podemos escolher o que somos?


Para dentro, quando olho,
É o mesmo sol que encontro.
Abrir os olhos, fechá-los,
Ao fim talvez seja o mesmo.


Para entender se és gostável,
Preciso checar se és lambível.
Não é preciso o suficiente perguntar:
Mostrarás o que desejas,
E eu perceberei o que eu desejo.
E aquilo que desejamos é muito perigoso.


A bobagem, o pecado, o erro e o errado... É com avidez que alimento o meu corpo, como o mendigo alimenta seus vermes. Não há mal no egoísmo que não exista igualmente no altruísmo. E, lá fora, sempre haverá um mal maior, ameaçando nos vencer.

As frondosas lágrimas é que perfazem a lama do caminho. Não há solução em querer somente para si ou dar-se a tudo. O mundo esvai a cada momento, e ninguém queria que ele parasse mesmo, ainda que pensemos que sim. Inimigos maiores espreitam.

2


A dor é irremediável, a injustiça é perene e natural, corpos e mentes se corrompem. Tudo o que podemos fazer é evitar a dor e de todas as corrupções ter a coragem de escolher a mais doce. No mundo da luxúria e da cobiça, a coragem sempre se esconde e culpa.

É o diabo que segura os fios que nos movem e suspendem. Nunca alimentarei o outro com a avidez que como. E cotidianamente condeno a fome que não é minha. O único defeito deste mundo, o único verdadeiro pecado, é a falta de alegria.

O único pecado neste mundo roto, sujo, violento e infame é a alegria que não me permito e que não permito a ti. A hiprocrisia de fingir que é nas prisões que decoramos que se encontra o sentido inefável, a beleza transcendente, o bem último que faria a eternidade suspirar.

Porque não quero que encene teus remorsos é que mal enuncio expectativas. Dá-me o que me dás de bom grado, já te tomei o que de ti pude conquistar, o resto deixemos para lá. Nunca te pedi nada, que não tua sinceridade. Deixe-me apenas ver teu corpo nu.

São a tristeza e a raiva os únicos crimes deste mundo: os olhos banhados em lágrimas descontroladas, o sonho do cadafalso, para mim ou para você. Tu o sabes, cara leitora: não traias as alegrias de nossos corpos e não te entregues à pusilanimidade deste mundo...3

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4


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1 Almost-translation of: U2 (1997). Staring at the Sun. Island: Pop.

2 Image by: Faster, pussycat! Gif! Gif! (2013). M (1931). Dir. Fritz Lang. Available at: http://fasterpussycatgifgif.tumblr.com/post/54926574926/m-1931-dir-fritz-lang

3 Reference to: Baudelaire, Charles (1857 [2008]). Les Fleurs du Mal. Edition by Josef Nygrin. Available at: http://www.paskvil.com/file/files-books/baudelaire-fleurs.pdf

And You Will Know Us by the Trail of Dead (2002). Sources Tags & Codes. Interscope.

Noteworthy the consultation to the translations of: Ivan Junqueira, E. M. S. Danero, Roy Campbell and William Aggeler.

4 Video by: Modern English (1982). I melt with you. 4AD Records: After the Snow.



sábado, 7 de junho de 2014

Paradoxo da Inteligência n. II


"O tolo realmente pensa ser sábio, contudo o sábio sabe que é um bobo"1


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(I) Se o problema é ser menos inteligente do que outrem, todas as pessoas do mundo têm este problema, à exceção de uma.

(II) Logo, o problema não deve ser este, e só pode ser o fato de não aceitar que alguém é mais inteligente que você.

(III) Finalmente, aceitar que há pessoas mais inteligentes do que você é a coisa mais inteligente a se fazer.


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Modelo de raciocínio:

(I) Premissa primeira: Do problema à lógica;
o problema é corretamente situado dentro do contexto, com embasamentos empíricos e possibilidades lógicas verificadas.

(II) Premissa segunda: Da lógica à saúde;
o que é entendido como problema é reinterpretado conforme as possibilidades e potencialidades do corpo3, isto é, as possibilidades de ação: "o que posso fazer a respeito?"

(III) Conclusão:
III.I. A dificuldade de reconhecer que a lógica se submete hieraquicamente à ética cria o aspecto paradoxal; por outro lado,
III.II. Agir em consonância ao maior princípio ético realiza a maior potência do corpo.

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1 Quote by: Shakespeare, William (2014 [1600]). "As You Like it". Available at: http://shakespeare.mit.edu/asyoulikeit/full.html, in: 2014-06-05. Tradução minha.

2 Image by: OpenClips - "Joker clown bauble bells fool jester puppet rod". Available at: http://pixabay.com/en/joker-clown-bauble-bells-fool-161416/, in: 2014-06-05.

3 Cf.: Spinoza, Benedict de. (2014 [1677]). "Ethica Ordine Geometrico Demonstrata". Available at: http://www.ethicadb.org/index.php?lg=en, in: 2014-06-05

terça-feira, 1 de abril de 2014

Deficiência

Mesmo se você é uma das mais de 3 milhões de pessoas que já assistiu a este vídeo, lhe diria que é proveitoso vê-lo, mais de uma vez inclusive.



É como se nos dissesse: "A questão não é se sua deficiência é visível ou invisível mas se você está fazendo algo para superá-la. E mais: se você está contribuindo gentilmente para que outro ser possa superar as suas."

Em outro post falávamos sobre capitalizar o humanismo... É o hábito que forma a mente saudável. Em tudo que se começa, sobretudo quando se começa o dia, é fundamental determinar valores e práticas, zerar os obstáculos mentais e físicos que nos separam daquela pessoa que queremos ser. Evidentemente cada um pode definir seus valores e práticas, de forma independente, tanto quanto o conseguir. Porém o vídeo como exemplo nos mostra que a pessoa que queremos ser dificilmente não passa pela pessoa que as pessoas querem que sejamos. E ao mostrá-lo, estabelece mais uma vez o modelo. Alguém pode achar que é piegas ou não se comover o suficiente, mas dificilmente seria porque esta pessoa viva sem ideais.

Quando alguém estuda, transforma sua passiva participação de telespectador para apropriador de tecnologia. estudar é se expor ao conteúdo mais de uma vez e trabalhar na interpretação dele. comportamento gera atitude e o que faz a atitude ser resiliente e grudar na sua personalidade é a repetição.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Capitalizar a revolução humanista



Viver, amigo, é ser soldado1


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A educação é uma construção horizontal, vertical, ética, lógica e empírica. A partir desta concepção, é melhor ser honesto do que genial. É melhor ser simples e inteligível do que ser complexo e revolucionário.

O simples fala a todos e pode, portanto, mudar o mundo. O complexo não dialoga com ninguém.

É o pragmatismo que nos diz: não há revolução sem metas. Isso implica, no mínimo, um prazo, um objetivo, dois planos, inúmeras preparações e, o principal, a execução antes da aurora.

Até quando você tem para terminar o que já deveria ter começado?

E quando, finalmente,
nosso inimigo chegar
- e ele nao está em toda parte? -,
Seremos tão rápidos
Que estivemos lá antes.


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1Epígrafe por Sêneca, Lúcio Anneo (2012). Aprendendo a Viver. Tradução de Lúcia Sá Rebello. L&PM. P. 98. Citação adaptada.

2Imagem por Lovering, Tom, captando escultura de Cochrane, Marco - Truth is Beauty.

3Música por Gabriel, O Pensador (2001). Até Quando? Sony: Seja Você Mesmo (mas não Seja sempre o Mesmo). Track Number 2.