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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Filósofos-Artistas

Estão perdidos.


"Aye, we're good and lost now... For sure, you have to be lost to find a place that can't be found..."

Incidental art by Pirates of the Caribbean: At World's End -
Citation of Barbossa, Hector.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Não te apaixones ainda...



Não te obceques ainda,
Recém me conheceste.
Verdade, estou apaixonado
Por ti mas
Podes decidir
Que sou maluco.
Dá-me uma semana ou duas
Para eu pirar o cuco -
E quando perceberes o erro
Podes correr em desespero
Como todo mundo.

Saiba logo que estou pra me engraçar
E se você tropeçar
Meu coração vai certamente quebrar.

Não seja tão doce,
Não haverá remédio
Não seja tão doce -
Não sou de ferro.
Não seja, a menos que queiras
Condenar meu coração
a bater em mim na tua mão.

The Magnectic Fields - Absolutely Cuckoo

quarta-feira, 30 de setembro de 2009



Onde estavas, Lugar?

Onde está você? De olhos cerrados lhe conheci. Mas quem é você? De olhos fechados me amaste. Foste clara e me esperaste quando eu quase nem mais tentava, de não mais acreditar. O que você passou? Você teve duas doenças e eu nem sei. Talvez três. O que passou por você? Eu te acolhi sem te ouvir ou entender. E eu queria aquela cor que a tua luz oferece ao que acontece. Eu quero aquele teu viço misterioso que nutre as plantas, que parece que crescem por você, e te abanam e te aconchegam. Não pude entrar em ti porque nunca sairia desse labirinto, sendo pétreo, mesmo leve como o ar. Não sei se posso te ter, não sei se esse é mais um texto que não mandei pra você. O que passou? O que passou por nós? Tenho medo de entender. Tenho medo de não conseguir e de conseguir. Tenho medo de cegar-me e de fechar os olhos por muito por não suportar. Tenho medo de tua doçura porque não tenho armas contra ela. Talvez foi teu sonho que me enlouqueceu. E me deixou acordado de pavor. E querendo com ânsia o impossível, como se num instante eu encontrasse o que me bastava para sempre, como se encontrasse o que me bastava para sempre de uma só vez. Nesses momentos era hora de minha infância acordar e suspirar perdida, e querer voltar a dormir para ter enganos doces onde estar extasiadamente satisfeito para sempre fosse possível, e saber que é preciso acordar para não deixar de procurar, não deixar a busca morrer, porque o tesouro está além e o pequeno fim de nós mesmos deve ser mesmo pequeno diante de tudo aquilo que se quer. E agora eu precisei falar contigo e dormias como um anjo que tu és. E tua mãe, judiciosa, não quis te acordar, e tampouco eu pude hesitar. E queria todas as cores do teu delírio, o que fez minhas órbitas marejarem e meu corpo tremer. O perigo que corro é depois de tudo o que fizer você não conseguir gostar de mim. Isso seria aterrador.
Onde é esse lugar, que é você?
Até tentei te ignorar. Depois até tentei esquecer. No entremeio, tentei fingir. A todo tempo, tentei fugir. E depois me olhavas como se eu fosse impossível... E já não havia onde esconder o tesouro, o tesouro que eu era, sem saber mas com todo o meu esforço inepto. E tua força erguias como um sol e era sólida como uma montanha, mesmo naquele olhar iludido... E tua voz me enlouquece, teu olhar me enlouquece, e eu choro apenas ou por um triz não choro, e quando te encontro fico histérico. Às vezes o que sinto ou não sinto é tão estranho que eu me assusto, e realmente receio ter perdido o tino. E tudo o que posso verdadeiramente perder é aquilo que você não sentir. Eu te amo mais do que posso escrever. E escrever é a coisa que mais sei fazer na vida. Eu te amo menos do que posso escrever. Eu te amo como não posso escrever. E quanto mais eu peço, em prece, que não sejas perfeita, mais o és, e quando rogo, por misericórdia, para que me abandones, tua imagem se fixa em minha mente escura e silente e não se apaga porque és a última luz, impossível de apagar, e eu fico obcecado perdendo as horas em devaneio, e a fome é pouca, o sono se esquece. Nesse consumidor instante és a tênue separação entre a vida e a morte. Entre o abandono absoluto ao nada e a esperança, parva, frívola, somente a necessária, mas ainda a impossível. Às vezes desejo ser cego, porque te ver é um suplício, mesmo a mim que entendo tudo sobre a felicidade. Te imaginar é insuportável. Mas a luz na minha mente só se apagaria junto comigo. Eu me ausento porque às vezes tuas lágrimas são a única coisa que faz sentido. E você me pediu pra eu te fazer chorar, e eu, que entendo tudo sobre a felicidade, não entendi o teu pedido. Quando me pediste pra te fazer chorar, eu te fiz sorrir. Perdi meus sentidos, e aquela fraca luz inebriou a sanidade.
Queria que se curasse essa vontade de solidão, ou só esse silêncio.
Viro um idiota e não quero que você vá embora. Querendo desesperadamente o que sei com toda a certeza que é impossível, apenas porque minhas fraquezas foram mais fortes do que eu, tomaram conta e aboliram a escolha. Gostaria de me perder em ti e que isso não fosse loucura... mas creio que só pensar isso já seja. Não sei mais pensar. Ficou difícil respirar de repente.
Fico tonto, a consciência torna-se insuportável. É difícil te amar. E por todos os momentos em que eu precisei de você... e talvez precises de mim... Pavor, pavor, pavor.

Longe

sábado, 29 de agosto de 2009

Senza te - insensatez

*

Tenho fome.
E te espero.
Apaixono-me por enganos.
Me sinto deprimido, me sinto mal
Porque és a melhor garota que já conheci.

Não consigo ganhar teu amor, sequer qualquer fração -
Oh, minha linda, reação psicótica!

Me sinto solitário noite e dia.

Não consigo teu amor, devo permanecer longe.

Bem, eu preciso de ti, garota, ao meu lado.

Não logro teu amor, não obtenho satisfação;
Oh, menininha, só me sobra a psicótica reação!

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* - The Count Five - Psychotic Reaction
** - Imagens por Charlie Chaplin - The Gold Rush

terça-feira, 28 de julho de 2009

Erro por falta, erro por excesso

*

Minha única opção
é te apaixonares pelos modos como erro.


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*Roberto Carlos - De tanto amor

terça-feira, 30 de junho de 2009

La Belleza será comestible o no será



Burning Love; Salvador. Burning Giraffe, Elvis.

Girl, girl, girl, you
gonna set me on fire!
Cause your kisses lift me higher
And you fuel my morning sky - with burning love!
Uh-uh-uh, I feel my temperature raising!
Burning, burning,
burning - and nothing can cool me!
I just might turn into smoke
But I feel fine!...

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Temps modernes, temps romantiques

Up on a hill is where we begin
This little story a long time ago
Stop to pretend, stop pretending
It seems this game is simply never-ending
Oh, in the sun, sun having fun...

The Strokes - The Modern Age


Day after day,
Alone on a hill,
The man with the foolish grin is keeping perfectly still
But nobody wants to know him,
They can see that he's just a fool
And he never gives an answer,

But the fool on the hill
Sees the sun going down,
And the eyes in his head
See the world spinning 'round.

Well on his way,
Head in a cloud,
The man with a thousand voices talking perfectly loud
But nobody ever hear him
or the sound he appears to make
and he never seems to notice,

And nobody seems to like him,
they can tell what he wants to do,
and he never shows his feelings...

The Beatles - The Fool on the Hill


And maybe I'm a fool for walking in line
Love is just a lie - it happens all the time...

The Magic Numbers - Love's a Game


I never loved nobody fooly...
Regina Spektor - Fidelity


Olha a luz que brilha de manhã
Saiba quanto tempo estive aqui
Esperando pra te ver sorrir
Pra poder seguir

Lembre que hoje vai ter pôr-do-sol
Esqueça o que falei sobre sair
Corra muito além da escuridão
E corra, corra!

Não desista de quem desistiu
Do amor que move tudo aqui
Jogue bola, cante uma canção
Aperte a minha mão

Quebre o pé, descubra um ideal
Saiba que é preciso amar você
Não esqueça que estarei aqui
E corra, corra!

Azul, vermelho
Pelo espelho
A vida vai passar
E o tempo está no pensamento...

Cidadão Quem - O Amanhã Colorido

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Primeira imagem: Autoria desconhecida.
Segunda imagem: Sami Mattar - Buffoon Happiness.
Terceira imagem: Maraldo - Walking in line.
Última imagem: Cindy_rs - Por do Sol em Porto Alegre.

domingo, 26 de abril de 2009

Responda, por favor

Qual destas músicas você é para mim?

a) Pública - Long Plays


b) Bidê ou Balde - Mesmo que Mude


c) Nando Reis & Os Infernais - Por onde andei


d) Outra - Qual?


Caso não tenhas notado a obviedade, existe uma resposta certa.

domingo, 29 de março de 2009

Romanticão (Safadeza n.º 0)

"Desnuda eres tan simple como una de tus manos:
lisa, terrestre, mínima, redonda, transparente.
Tienes líneas de luna, caminos de manzana.
Desnuda eres delgada como el trigo desnudo.

Desnuda eres azul como la noche en Cuba:
tienes enredaderas y estrellas en el pelo.
Desnuda eres redonda y amarilla
como el verano en una iglesia de oro.

Desnuda eres pequeña como una de tus uñas:
curva, sutil, rosada hasta que nace el día
y te metes en el subterráneo del mundo

como en un largo túnel de trajes y trabajos:
tu claridad se apaga, se viste, se deshoja
y otra vez vuelve a ser una mano desnuda."

Desnuda, Neruda.


Digo que vou pôr só a cabecinha, mas lá no fundo ela gosta.

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sábado, 28 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Laços de Família

"A melhor definição do amor não vale um beijo de moça namorada; e, se bem me lembro, um filósofo antigo demonstrou o movimento andando" Uma das habituais machadadas, em seu 'Espelho: fundamental é a segunda alma, construída a partir dos reconhecimentos. Reconhecer é onirrevelar o valor. É, portanto, fazer dele uma experimentação.

*

Wes Anderson's Darjeeling Limited and Phil Morrison's Junebug.

Mas não é preciso ir tão longe. Toda a pessoalidade é feita por nós.
Então basta amar o desconhecido? Talvez seja mais pungente amar o ignorado.

Não é engraçado que um e outro briguem e discutam para julgar de que outro foi a irritação que começou a me irritar? E que se batalhe pela última negação, mesmo que ela seja 'sim, senhora' (não estamos no ponto de confundir afirmações com sins, não é mesmo? A ironia é clara, no tom de voz frustrado de quem diz reconhecer no outro uma senhoria - a mesma voz que proclama, ressentido: estou amando! querendo mostrar, com isso, que está à mando, e que não está sendo amado, que não passa de um... ignorado).

Não é lindo quando estes silêncios dizem tudo? Nós, os últimos dos ressentidos, sentamos lado a lado, negociando dores invisíveis, caladas e pouco disfarçadas, porque o Natal não nos trouxe outras máscaras, que não as velhas conhecidas, as familiares. Como ser um estupendo ator para um público íntimo? Adivinham todos os teus trejeitos, metade por serem os deles também.

Muitos de nós fazem o extremo esforço de esquecer alguma coisa. Só podemos realmente esquecer de alguma coisa se ela esteve em nossa memória (por isso pouco se diz que esquecemos do que imediatamente vemos ou ouvimos, quando é o caso, ignoramos; ou que esqueçamos aquilo a que nossa atenção se presta, quando é o caso, dizemos distrair; o que se perde não é a percepção sensória nem a capacidade atencional, que são por si próprias fugazes e mutáveis em relação a seus objetos, mas a percepção mnêmica, a percepção de uma impressão que deveria estar gravada em algum lugar, só não sabemos
qual - os esquecimentos são feitos através de rupturas ou enfraquecimentos dos vínculos neuronais), isto é, conceitualmente, só esquecemos de algo
que nos foi familiar. De algo passado e importante o suficiente, algo que se soube.

Inocentes, talvez ainda haja. Aqueles que não se sentem amados e não desejam o ser.

Humilhar com ternura é o jogo dos senhores. Dos que almejam possuir, ganhar. É um tipo de processo educacional. Fazem do orgulho, aquele animal selvagem, um incompetente caçador. Mendiga, então, as migalhas dos olhares, das palavras, come sofregamente na mão, e a lambe. Mas os que renunciaram ao orgulho ou os que nunca o conheceram não são domesticados. Lambem a mão por selvageria ou amor puro.
Lancinante.



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* The Cranberries - Ode to my family

sábado, 29 de novembro de 2008

De tanto te amar,
Logo mais não haverá mais
Nada a matar

*




**
"Desde que a experiência me ensinou ser vão e fútil tudo o que costuma acontecer na vida cotidiana, e tendo eu visto que todas as coisas de que me receava ou que temia não continham em si nada de bom nem de mau senão enquanto o ânimo se deixava abalar por elas, resolvi, enfim, indagar se existia algo que fosse o bem verdadeiro e capaz de comunicar-se, e pelo qual unicamente, rejeitado tudo o mais, o ânimo fosse afetado; mais ainda, se existia algo que, achado e adquirido, me desse para sempre o gozo de uma alegria contínua e suprema. Com efeito, as coisas que ocorrem mais na vida e são tidas pelos homens como o supremo bem se resume, ao que se pode depreender de suas obras, nestas três: as riquezas, as honras e a concupiscência. [...] Pela honra, porém, muito mais ainda fica distraída a mente, pois sempre se supõe ser um bem por si e como que o fim último, ao qual tudo se dirige. [...] Por último, a honra representa um grande impedimento pelo fato de precisarmos, para consegui-la, adaptar a nossa vida à opinião dos outros, a saber, fugindo do que os homens em geral fogem e buscando o que vulgarmente procuram."***


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* Salvador (Dalí): Atmosferic skull sodomizing a grand piano.
** Norah (Jones): What Am I To You?
*** Benedictus (Spinoza): Tractatus de intellectus emendatione.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

domingo, 28 de setembro de 2008

Chegar antes ao futuro

Drive your cart and your plow over the bones of the dead.*

















Isto é, chegar logo ao melhor: ascender em poder, ascender em prazer. Tornar-se livre, forte e ter para si tal sensação. Melhor expresso: não tornar a si mais vigoroso e independente, antes tornar-se outro, sim, mais robusto e autônomo - e proporcionar a este outro tal sensação. Natural, portanto, que o si, enquanto se esvai, experimente, até mesmo por comparação, sensações de enfraquecimento, impotência - ele está enfrentando suas próprias fraquezas, está passando por cima de suas próprias vulnerabilidades, está provando daquilo que lhe é mais doloroso, está se expondo abertamente para o que em si é inépcia. Há algo de mais aviltoso em um si que só morre se morrer o si. Não é agradável, por exemplo, enfrentar o objeto do seu temor, embora agradável seja ter enfrentado esse objeto: significa que ele tornou-se menos temível.

O futuro está na mente de alguns visionários: perceber quem são é já o primeiro passo para tornar-se um. Os que fazem o futuro, que, antes disso, o projetam (projetar: lançar à frente), e desse modo, produzem sua própria sorte: o mundo, o destino são reflexo do seu império, são os meios pelos quais realizam suas vontades e seus mais íntimos desejos. Não se chega lá sem vibrante imaginação e criteriosa perspicácia. Quem não é um visionário está morto, it's only a matter of time - matéria de tempo, apenas.

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* William Blake: Proverbs of Hell, in The Marriage of Heaven and Hell. Dirija, sagaz, carroça e arado sobre os ossos dos mortos.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Resultado, Olimpíadas - Modalidade: Proposição

Medalha de bronze: Pode ser
Medalha de prata: Sim
Medalha de ouro: Vamos

O Vamos é sobremaneira superior aos seus rivais, de tal forma que venceria com qualquer pontuação.